segunda-feira, 1 de junho de 2015

CIDADE




As luzes piscam e a cidade sempre em movimento; caminham, passos, alguns apressados, circulam carros, outros em duas rodas: motorizados e motivados - motivados a pedalar e exercitar. O farol se abre pessoas de um lado para o outro, multidão, se esbarram, nem se olham, porque não se conhecem. O rapaz troca um olhar que não é correspondido, ainda tenta mais uma vez olhando para trás, ela segue seu trajeto sem ao menos se importar. Ambulantes vendem seus pertences. Camelôs, engraxates e jornaleiros são os únicos imóveis vendo tudo se movimentar. Lá e cá o pregador, segurando a Bíblia na mão, grita palavras de fé para que alguém as ouça. Nem os gritos conseguem acordar o morador das calçadas, pouco aquecido com o velho cobertor. O barulho é intenso, tenso, irritante, assustador. Assustado com as sirenes o cidadão procura em movimentos. A viatura passa devagar, observando, à procura da crise, do crime, ronda para segurança porque ninguém está seguro. Os vidros fechados em todas as fachadas não sentem nem o calor, nem o frio. Noites frias iluminadas por neon, aquecidas pelo álcool, movimentada e agitada madrugada, não para, música em alto som: carros, bares, baladas, ninguém dorme, a adrenalina consome: sexo, drogas, tudo é diversão. Quando acordam, realidade, depressão, trabalho, política, economia. Veem as notícias nos jornais, telejornais, internet em seus celulares: metrô lotado, ônibus apertado, mulheres se protegendo do doente masturbador. Até o inocente se sente culpado na pressão da cidade. As crianças seguem a rotina para a educação que não tem refletido na cultura social. Culpam a corrupção, porém o culpado é o corruptor. Ganância pelo poder que leva à soberba, só ostentam riqueza. Consumismo sem pensarem nas consequências quando tiverem que pagar as faturas dos cartões de crédito. E em busca de solução correm para o trabalho na cidade que continua circulando em movimentos apressados sem perceberem as pessoas ao lado nos dias que vão passando muito rápido sem se incomodar com o calendário.


“O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do Sol? Gerações vêm, e gerações vão, mas a terra permanece para sempre. O Sol se levante e o Sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta.”

Eclesiastes 1:3-5


Wagner Pires

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