terça-feira, 25 de agosto de 2015

COMPANHIA INSEPARÁVEL



Com você ao meu lado consigo falar, me comunicar,
Até mesmo sonhar e viajar.
Ir e vir, desde que eu queira partir,
Ou eu possa fugir e descontrair.
Neste universo sem fronteiras,
Atravesso todas as barreiras.

Para conhecer todo este mundo:
Beleza e alegria, também o lado imundo.
Precisamos estar informado.
Política, economia: estar conectado.
Às vezes eu nem entendo,
A civilização em detrimento.

Com tanta guerra e insegurança.
Você é a minha confiança.
Prefiro esquecer tudo isso,
Mas não viver sem compromisso.
É que prefiro o entretenimento
Diversão a cada momento.

Fotografias e imagens.
Muitos rostos e algumas paisagens.
Jogos e competição.
Quero vencer, ser o campeão.
A cada click, um toque, digitar,
No cotidiano: eu e você, meu celular.



"Outro dia, em quatro casais, saímos para almoçar numa cantina italiana.
Sentados, aguardando nossos pratos, apenas eu não estava digitando no celular....
Quem era o anormal?
Neste mundo virtual, está acabando o relacionamento interpessoal."

Wagner Pires

domingo, 2 de agosto de 2015

SOU VÍTIMA DAS MINHAS ATITUDES


           Embarquei, peguei o avião com destino ao passado. Passado mal resolvido.
          Cheguei, desarrumei as malas e vi que havia me esquecido de trazer minha individualidade e minha liberdade.
          Depois de alguns dias é que fui perceber que mexeram na minha bagagem e a minha paz havia sido roubada.
          Também pudera, apesar da minha idade já um pouco avançada, vivido, experiente com tantas idas e vindas do COTIDIANO, fui ingênuo, tremendamente inocente em acreditar que poderia ter a família e amigos de volta.
          Ah sim, claro, enfiei a mão nos bolsos: onde deixei minha carteira?
          Não tinha, apenas documentos e lembranças. Muitas histórias para ninguém ouvir. Ninguém vive de ouvir histórias, vivem de passeios em carrões, conforto em belas casas com repletos jantares.
          Em pouquíssimo tempo perdi até mesmo os equipamentos que de lá eu trouxe. Até eles ficaram cansados e resolveram não mais funcionar, morreram, nos deixaram.
          Morreram juntamento com os sentimentos de alegria e felicidade, restou tristeza, solidão, falta de esperança. Rotina de trabalho, enfadonho trabalho. Esforço em vão, sem nada conseguir.
          Tempos difíceis.
          Enquanto que do outro lado do Atlântico eu abandonei a praia, o verão, muito lazer e diversão. Diversificação: parques, montanhas e castelos, ruínas e história, modernidade e cultura, cinema e teatro, gastronomia, farta gastronomia. Respeito e admiração, amizades, companhias e solidariedade.
          Meu fiel companheiro, meu filho, perdeu em qualidade. Não ele, mas a qualidade que o lugar possa oferecer: saúde, educação, entre tantas outras.
          Perdeu o convívio natural com os amigos, restando o virtual. Crescendo em seu limitado espaço, onde perdeu o seu espaço da sua principal característica: descontração, improvisação, sorriso no rosto. Não perdeu o carinho e respeito. amoroso, paciente.
          Tendo que acostumar-se com a rotina protocolar de uma sistemática burocrática e banal.
          Em cada passo, cada caminhar, cada lugar, fui deixando para trás os sonhos. Olho para trás e vejo lembranças, maravilhosas lembranças. Enquanto olho para a frente e vejo escuridão.
          Não posso culpar os discursos enganadores, falsas promessas, palavras mentirosas, propostas ilusórias. Fiz as escolhas, tomei as atitudes.
          E quanta decepção.
          Resta-me acordar nas madrugadas e lamentar, tentar encontrar uma solução, uma saída deste labirinto, um túnel sem fim., onde cresce um vírus do desânimo que alimenta a depressão que vai apagando do quadro o giz que escreveu uma história de comunhão, tornando em desconfiança e falta de fé; ficando apenas num quadro negro.
          Obscuro.
          Tudo isso só faz viver dentro de mim uma saudade, enchendo de ar como um balão prestes a explodir como no Big Bang querendo iniciar um novo mundo, uma nova vida à procura do seu sol para que ao seu redor possa orbitar!

"...o sol da justiça se levantará trazendo cura em suas asas. E vocês sairão e saltarão como bezerros soltos no curral..."
(Malaquias 4:2)


Wagner Pires

sexta-feira, 24 de julho de 2015

GERAÇÃO ZUMBI

(fonte da imagem: https://br.noticias.yahoo.com/blogs/mira-regis/a-burrice-reinante-na-musica-brasileira-realmente-183901284.html?linkId=15760410)

Sociedade é um reflexo da política, assim como a política é um reflexo da sociedade!
Difícil de entender?
Difícil de explicar?
Uma sociedade não é formada nas escolas, ou pelos políticos que nós colocamos no poder e que gerem estas escolas.
Uma sociedade tem início dentro de casa,e stende-se por toda a família e comunicade ao redor (trabalho, escola, bairro, amigos...).
mas aí é que surge o problema.
Qual o conceito de família e comunidade que temos vivido hoje?
O individualismo: o interesse pessoal e daqueles que o cercam - beneficiar-se a despeito de qualquer coisa.
Não se tem noção do verdadeiro significado de família.
Quem é sua família?
Aquele que pode te oferecer algo.
O que é sociedade?
A sociedade está sendo orientada pela mídia, e isto não é um discurso anti global.
É a grande mídia manipuladora formando a mentalidade social com seus usos e costumes, ditando as regras da moda atual, ditando os discursos politicamente correto, os que pensam diferente estão fora desta sociedade.
O que deveria ser utilizado para o bem é um ótimo instrumento para a massificação: o isolamento devido às tecnologias.
O problema da cultura brasileira vai além, mas muito além da cultura musical atual. Basta verificar a qualidade sócio-educacional que nós vemos na programação das TVs abertas: jornalismo sensacionalista, teledramaturgia banal descaracterizando o ser humano e a sociedade, reality shows, o esporte corrupto e corruptível que gera grandes receitas, humor depreciatível, entre outros.
Não adianta pedir, ou pensar, na volta do regime militar para trazer de volta sua dura, rígida e intolerante educação, pois eles são a origem de todos os males sócio-econômico-cultural.
Eles agiam, escondiam e não permitiam que seus feitos corruptos fossem revelados. O que é bem pior da situação atual, hoje continuam roubando, mas somos conhecedores dos fatos.
A solução está em cada um abrir os olhos e ter uma mente capaz de absorver as informações com a capacidade de discordar e opinar com caráter e uma visão honesta.


Wagner Pires


HISTÓRIAS E LEMBRANÇAS


quinta-feira, 11 de junho de 2015

ASAS DA CRIAÇÃO




Rebentaram do casulo
Feito uma larva
Colorida entre as folhas, camuflada
Que fazem saltar às flores
Beleza discreta voa com leveza
Quase invisível procurando alimento e abrigo

Voo mais alto
De polo a polo, costa a costa
Solitário e veloz de olhar astuto
À espreita pela presa
Repousa sobre as copas das árvores
Para esconder-se no ninho nas montanhas

Correndo até a beira do abismo
Carregando sua asa
Saltando, conduzido pelo vento
Sentindo-o bater ao rosto
Liberto como a ave
Para aterrizar em praia de areia firme

Conhecendo todas as terras como um turista
Cortando as nuvens
Deixando seu gélido rastro
Por sobre os oceanos
O mundo se transforma em alguns segundos
Muitos povos de várias línguas

Transportado pela explosão do foguete
Vendo a Terra azul de cabeça para baixo
Observando-a como o Criador a sua criação
Flutuante sem gravidade
Uma vida que ainda é um sonho distante
Morar no limite do infinito

Deste infinito que transporta substâncias
Vem sem destino para lugar nenhum
Até onde possa se chocar
Numa bola de fogo de destruição
Transformar-se em vida
Como larvas surgindo do seu casulo!


Wagner Pires
in, Roteiros de Uma rotina

segunda-feira, 1 de junho de 2015

CIDADE




As luzes piscam e a cidade sempre em movimento. Caminham, passos, alguns apressados, circulam carros. Outros em duas rodas: motorizados e motivados - motivados a pedalar e exercitar. O farol se abre pessoas de um lado para o outro, de um lado para outro. Multidão, se esbarram, se empurram, mas nem se tocam, não se olham: atarefados, preocupados, desinteressados. O rapaz ainda tenta trocar um olhar que não é correspondido, ainda tenta mais uma vez olhando para trás, olha para a bunda. "Rapaz, olha o desrespeito, não confunda". Ela segue seu trajeto sem ao menos se incomodar. Ambulantes vendem seus pertences. Camelôs, engraxates e jornaleiros são os únicos imóveis vendo tudo se movimentar. Lá e cá o pregador, segurando a Bíblia na mão, grita palavras de fé para que alguém as ouça, procurando o arrependido, faminto, desesperado. Nem os gritos conseguem acordar o morador das calçadas, pouco aquecido com o velho cobertor, alguns dormem entorpecidos, perturbado, seu fiel cão acomodado ao seu lado. Cenário perturbador, imensa dor. O barulho é intenso, tenso, irritante, assustador. Assustado com as sirenes o cidadão procura em movimentos. A viatura passa devagar, observando, à procura da crise, do crime, ronda, ninguém está seguro. Nem mesmo do próprio policial corrupto, violento, stressado, mal remunerado, julgado e condenado pela organização criminal. Os vidros blindados, fachadas fechadas: o calor é frio e insensível, o cidadão se torna um invisível. Noites frias iluminadas por neon são aquecidas pelo álcool, movimentada e agitada madrugada, não para, música em alto som: carros, bares, baladas. Frisson, ninguém dorme, nem ao menos o cansado trabalhador. A adrenalina consome: banalidade, futilidade, sexo, drogas, tudo é diversão. Quando acordam, realidade, depressão: trabalho, política, economia. Veem as notícias nos jornais, telejornais, internet em seus celulares: metrô lotado, ônibus apertado, mulheres se protegendo do doente masturbador. Até o inocente se sente culpado na pressão nesta louca cidade. As crianças seguem a rotina para a educação que não tem refletido na cultura social. Culpam a corrupção. Onde está o corruptor? Ganância pelo poder que leva à soberba, só ostentam riqueza. Consumismo sem pensarem nas consequências quando tiverem que pagar as faturas, outras falcatruas. E, em busca de solução, correm para o trabalho na cidade que continua circulando em movimentos apressados sem se preocupar com o calendário. As luzes vão piscando nesta cidade que vai se movimentando, uns correndo, outros caminhando, sem se incomodarem em olhar para todos os lados!


“O que o homem ganha com todo o seu trabalho em que tanto se esforça debaixo do Sol? Gerações vêm, e gerações vão, mas a terra permanece para sempre. O Sol se levante e o Sol se põe, e depressa volta ao lugar de onde se levanta.”

Eclesiastes 1:3-5


Wagner Pires
in, Roteiros de Uma Rotina

domingo, 31 de maio de 2015

DÊ PRESSÃO


Crises do COTIDIANO
Separação, contendas, confusão,
Desemprego, sem apego, sem dinheiro.

O mundo físico afeta o psíquico,
Alma doente, carente, solidão.
Não escolhe raça ou sexo,
Rico ou pobre.
Levando uma vida sem nexo.
Deixa feridas no corpo
E cicatrizes na alma.

Um cárcere encarcerado por si.
Aplica as suas leis e suas razões.
Não aceita divergências nem opiniões.
Fecha-se no seu próprio mundo.
E o mundo fecha-se para ele:
O pessimista na roda de amigos,
O rabugento nos encontros de família.
"Só quer atenção, frescura, loucura".
Não, precisa de cura.
Um medicamento para que possa dormir,
Um ouvido para lhe ouvir.

Transtornado e apavorado,
A noite chega e não consegue dormir,
Tem medo de não acordar.
Encolhido, afligido, trancado.
Rola na cama para todos os lados.
Liga a TV, se agarra ao celular, desliga o PC,
Não para de pensar,
Somar, calcular, sonhar sem raciocinar.
Tentando achar os motivos, tentando achar os culpados.
Fica cada vez tudo mais ofuscado.
Finalmente a mente se apaga.

Mas amanhece e não quer acordar.
Para que trabalhar?
Só lhe resta chorar e lamentar.
Querer fugir desta prisão.
Libertar-se desta situação.
Que está conduzindo à destruição.
Problema sem solução.
Não enxerga uma simples resolução.

Doente, demente, inconsequente.
A beira do abismo, um suicídio.
Querer começar tudo de novo,
Voltar ao princípio.
Nascer para uma nova vida.
Apertar o botão de partida.
Sair em correria
Sem olhar para traz.
Fugir desta gaiola para um voo sagaz!


“Quando o viu deitado e soube que ele vivia naquele estado durante tanto tempo, Jesus lhe perguntou: Você quer ser curado?.....Levanta-se! Pegue sua cama e ande.”

João 5:6-8


Wagner Pires
in, Roteiros de Uma Rotina

quinta-feira, 28 de maio de 2015

EU E O CÃO


Somos sem identidade e sem raça
Numa vida cheia de alegria e graça
Quando na praça, abro as janelas
Vemos este mundo em suas mazelas
Seguimos sem endereço
Liberdade que vale este preço
Partimos sem dar satisfação
Sem partido, sem religião
Muitos tem o dinheiro e aparência como maior valia
Para meu fiel amigo: a minha companhia
Mesmo nesta caminhada a lutar
Fazemos cada lugar o nosso lar!


Wagner Pires
in, Crônicas de Um Andarilho

DEPRESSÃO


domingo, 24 de maio de 2015

INDIVÍDUO INDIVIDUAL INDIVISÍVEL




Circunstâncias da vida que lhe trarão oportunidades
Com múltiplas opções de escolha
Para seguir seu destino.
Esta primeira circunstância não é você que a cria,
Nasce com ela,
Com aquilo que sua família lhe pode oferecer.
Na sociedade onde sua família quis viver.
Tempo e espaço.

Nasce sem poder de decisão.
Não é o condutor do veículo vida,
É o passageiro no banco de traz.
Esta é sua principal tarefa:
Tornar-se alguém capaz de tomar suas decisões.
Decisões certas ou erradas,
Não importa.
Importa é tomar decisões.
Até mesmo os erros são acertos.
Acertos para o futuro daquele que quer aprender.
Humildade e sabedoria.

Seu caráter é formado por um percentual de você mesmo,
Outros de sua educação.
Dom e talento nato é sua inteligência,
Sabedoria é a capacidade de utilizar o mecanismo inteligência:
Para o bem ou para o mal;
Adquirindo e armazenando conhecimento (cultura e educação).
Sabedoria, um software que armazena arquivos (cultura) no SSD (inteligência).

Único, inédito e exclusivo.
Sem cópias em back ups,
Nem clones científicos,
Imagens virtuais,
Robôs cibernéticos.
Mesmo que seja um dídimo.
Tempo e espaço,
Cada um ocupa o seu.
Certeza de Newton, comprovando a Física.

Porém o mundo é social,
Com obrigações sociáveis - respeito,
Mútuo, alheio e coletivo.
Os sonhos, ou projetos, não podem ser utópicos;
Não viver um alienado.
Aprendendo, compartilhando: coletividade social.
A auto estrada lhe mostrará avenidas,
Avenidas com várias ruas.
E se forem vielas sem saída,
Dê a ré, e volte ao caminho,
Peça informação ao jornaleiro,
Verifique o GPS,
Nem tudo está perdido.
Retorne à auto estrada,
Que não existem acostamentos,
O trânsito não pode parar!


“Ora, para aquele que está vivo há esperança...Tudo quanto te vier à mão para fazer, faze-o conforme as tuas forças...”
Eclesiastes 9:4-10


Wagner Pires


quarta-feira, 20 de maio de 2015

O DROGADO





Não me considero um usuário viciado, apenas um consumidor social.
Aliás, nem considero um vício, um mal.
Sei quando usar e quando devo parar, meus limites sem que interfira no meu COTIDIANO.
Não entendo esta necessidade de regras, limites, até mesmo leis.
Tanta formalidade e burocracia apenas porque às vezes uso escondido?
Escondido na escola, escondido no trabalho, escondido em casa, escondido até no carro, no trânsito.
Que mal este consumo pode afetar à minha mente?
Corroer meus neurônios, afetar a agilidade e capacidade de raciocinar: memória?
Tudo bem que uns consomem de forma desenfreada, desesperados, aflitos, nesta loucura buscam sexo aleatoriamente.
Levam ao roubo, furto, fraudarem, casos de morte.
Perdem a noção do tempo e do espaço.
Deixam de se relacionar com a família, com a sociedade, causa de separações e divórcios.
Falta de respeito e decência, moralidade.
Seus amigos são apenas os que conseguem falar a sua língua, os mesmos vícios de consumo, a sua tribo.
Consumo que acelera o batimento cardíaco, adrenalina em alta, mãos trêmulas, suado.
Na abstinência: stressado, irado, irritado, agressivo.
Não se alimenta adequadamente, perde o apetite.
Rosto abatido de horas acordado, fuso horário trocado, zumbis.
Droga de fácil acesso, nem sempre barata, de má qualidade.
A parada é séria, zuado, na brisa, o importante é estar noiado.
Conectado.
Smarthphones, tablets, celular.
Facebook, zapzap, twittar.
Selfies e fotos no Instagram.
Chats, conversas, relações amorosas, perigosas, traição.
Charme, mentiras, pedofilia, sedução.
LoL virou esporte, sonhos de adolescentes em uma competição.
Não escapam as crianças, Minecraft virou a única diversão.
Jogos: frutinhas, espionagem, cartas e construção.
Receitas e guloseimas, religiões e suas preces.
A igreja também mudou de endereço.
Carregam suas coreografias e adereços.
Peripécias e atrapalhadas.
Pouca fé, enganação e palhaçada.
Tão bom seria se tivessem o bom caráter dos seus perfis.
Postagem de auto estima que nem ele próprio acredita e pratica.
Porque não consumir este veículo com mais atenção às notícias e textos culturais.
Fotos, história, exposições nas memes e nos virais.
Não se importam com o útil
Mundo fútil.
Muita coisa inútil.
Banal
O bacanal social.
Bem vindo à era virtual!


"Todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas convêm, todas as coisas me são lícitas, mas nem todas as coisas edificam"

1ª Coríntios 10:13


Wagner Pires
in, Roteiros de Uma Rotina

segunda-feira, 18 de maio de 2015

MUNDO ENFURECIDO




Antirrugas
Antissinais
Antidepressivo
Neste mundo nocivo
Anti-aéreo
Ataques pelas redes sociais
Para massacrar
Destruir
Ataques pessoais
Interesses, corrupção, mentiras
Antibombas
Antissocial
Fico no bunker
Nesta monótona rotina
Fugir da agressão
Opressão
Causam conflitos
Fico só assistindo
O mundo que gira
Trazendo novos sinais
Desgaste
Anti-idade
Incessante corrida
Onde está o benefício
Neste seu ofício
Ficam escritos em relatos
Contando os fatos
História que sempre se repete
Antifascista
Antirracista
Anacrônico
Chega a ser cômico
Que tudo sempre se repita
Cometem os mesmos crimes
No pobre a crise que se reflita
E quem se importa
Pela cidade morta
Sem cura
Sempre à procura
Num Antimicótico
Ou Antibiótico
Mundo nada macrobiótico
Carnívoros
Devorando como vermes
Infiltram pela pele
Consomem a memória
Da carta precatória
Lembranças
Lambanças
Mente louca
Insana
Arruma desculpa
De quem é culpa
Por mais que tente
Se reinvente
Ação nada aparente
Outra inexistente
Falta o recurso
Vão morrendo neste percurso
Enfurecido
Nada parecido
Tudo muito esquisito
Não tem requisito
Qualquer um
Para eles tanto faz
Outros ficando para traz
Definhando
Agarrado à depressão
Fica sem ação
Retratando sua idade todo roto
Rugas espalhadas pelo rosto
Seco
Sem água nos mananciais

"Abrirei rios em lugares altos, e fonte no meio dos vales; tornarei o deserto em lagos de águas, e a terra seca em mananciais de águas."
Isaias 41:18


Wagner Pires
in, Roteiros de Uma Rotina

terça-feira, 21 de abril de 2015

ONCOTÔ, PRONCOVÔ - Capítulo 1




                Gabinete agitado, jornalistas, convidados e...os mesmos funcionários.
                Novo mandato para o prefeito da estância Constância. Exatamente, a mesma constância dos mesmos políticos no comando da pequena e divertida cidade.
                Onofre dos Santos: “Sou Santos, mas não sou Santo, mesmo assim o prefeito perfeito”. Que slogam mais ridículo, e é assim que consegue se reeleger, ora prefeito, ora deputados, por vezes vereador, não um simples vereador: presidente da Câmara. Quando não é ele, algum Santos, que também não é nada santo, assume a cadeira municipal.
                Homem controverso com uma família nada convencional, sua bela filha, e põe bela nisso, adora criar uma polêmica amorosa. Pudera: bonita, gostosa, no poder com muito dinheiro, assessora de imprensa do prefeito, formada em jornalismo, de uma lábia sem igual, cheia de conversa, sabe conquistar, mas também sabe arrasar o coração de pobres coitados iludidos pela linda mulher.
                Judite, adora um cartão de crédito, Afinal, quem é que não gosta, até eu que sou mais bobo. Se pelo menos o cartão fosse só para ela!
                Coitado do Onofre, já entenderam né. Tão simples quanto isso. Suas viagens é que lhe contam as aventuras. Culpa do prefeito que não deixa a cidade por nada, e o medo da oposição tomar seu lugar.
                Pequena cidade que se parece com Nova Iorque, tem gente de todo o lugar do Brasil e do mundo. O último a se mudar para Constância é o professor de história vindo da capital, este é cheio de história mesmo, nem todas verdadeiras. Senta-se no banco da praça com as senhoras e alguns aposentados e ficam horas e horas com suas lorotas. Só esconde uma história, ele pode não contar, mas eu já já conto para vocês.
                Quem gosta de ouvir suas aventuras é a Dn. Albertina Cossello, com dois “s” e dois “l”, senão ela fica brava. Viúva de Frederico Cossello, fugidos da Itália nos tempos da guerra, se estabeleceram na cidade com a plantação de café. Coitada, só não teve filhos, e como toda boa italiana cozinha que é uma maravilha, como a família é pequena, só ela e o irmão que gasta tudo o que tem e o que não tem na jogatina, sempre prepara os almoços de domingo com os amigos e vizinhos, o professor que é um espertalhão não fica de fora.
                Sua melhor amiga é Dn. Joana, esposa do lusitano vindo de Trás-os-Montes, Sr. Junqueira, Nuno Junqueira. Torcedor fanático do S. L. e Benfica, aqui no Brasil ele torce para o ameriquinha, que está muito mal das pernas.
                Por falar em futebol, quem gosta mesmo de futebol é Konstantinov  Sporotiuk, eita nome difícil. Gosta de futebol e de cerveja. Como é que este ucraniano veio parar aqui nesta cidade? Não sei, mas vamos descobrir.
                Ele não me é estranho, parece com alguém que eu conheço, ou com algum personagem da TV. Ah sim, TV, já sei: tio Chico da família Adams. Baixinho, cabelo ruivo bem ralo, de longe até parece careca, e meio gordinho. Safado, adora uma brasileira, e quem não gosta. Bem, tem um cidadão da cidade que não gosta! Calma, a história está apenas começando, com paciência você vai conhecer todos os moradores e suas curiosidades.
                Ainda tem o padre Lito. Lito somente para os íntimos, para os demais é padre Carmelito. Estranho, quem não é íntimo nesta cidade tão pequena. O Chicão, dono do boteco, vindo do sertão, montou o boteco com o dinheiro que juntou da construção civil. A família Esteves: Amilcar Esteves, Teresa Esteves, Juan e Paola Esteves, bolivianos que ficaram um tempo como trabalhadores escravos na capital, conseguiram fugir e se estabelecer na estância de Constância trabalhando como costureiros. A família toda conhece a profissão.
                Os irmãos Marsh e Mellow, nome artístico da dupla sertaneja que não consegue nem tocar no boteco do Chicão, que dirá no resto do Brasil, o máximo que conseguem e uma palhinha nas festas da cidade, mas por caridade. Os irmãos Fonseca: Jackson e Anderson. Ainda têm outros três irmãos: Wellington, Clayton e o caçula Valdeno. Seus pais foram bem criativos. Têm uma única irmã Joycekleina.
                Toda boa cidade do interior tem suas festas, reuniões, fofocas e brigas e para conter toda a euforia somente o xerifão da cidade para por ordem. Será que põe mesmo?
                Pois é, Eduardo Paciência é o sujeito. É tanta paciência no camarada que só seu fiel escudeiro para intervir em tudo: Carlão, irmão da não menos bela do que a filha do prefeito, Natália, mariana, mas ao contrário da filha do prefeito, esta aí não é para qualquer um não, bela, inteligente, com um corpão bem trabalhado na academia e nas lutas de Jiu-Jitsu. E um irmão pra lá de ciumento.
                O gaúcho até que tenta conquistar a moça, tem presença, tem conversa, um carrão, mas falta-lhe inteligência. Bah, tchê, este gaúcho, Thiago Morais, criador de gado é bem esperto. Gremista que adora provocar o sr. Nuno, só porque a camisola do Benfica é semelhante à do Colorado gaúcho.
                E aquela casinha, o sobrado azul ali na esquina?
                Ah sim, aquela é a minha casa, eu sou apenas o narrador, um sonhador metido a escritor que também tem muitas histórias para contar. Primeiro vou contar as histórias desta maluca cidade, a minha...fica para depois.

Wagner Pires

terça-feira, 14 de abril de 2015

NA CONTRA-MÃO




Não gosto do que é popular,
Populismo,
Modismo.
Se está na moda:
Estou fora.
A moda não reflete a maioria.
Ela influencia.
Influencia quem quer estar na moda.
O mundo é apenas negócio:
business.
Música, arte, cinema, moda...
Tudo é interesse
Buscando o lucro.
Por isso,
Não me venha com Neymar,
Funk ou sertanejo,
Novelas e BBBs.
Tenho meu eclético estilo,
Meu caráter e meus gostos.
Nem me incomodo se não agrado.
Mas luto pela minha opinião,
Ainda mais quando tenho razão.
Critico a anti-cultura,
Ou a falta dela.
Nacionalista?
Não tenho nacionalidade,
Tenho naturalidade,
Acaso da natureza.
E naturalidade de gostar do que me agrada,
Onde me agrada.
O blábláblá
Tem que ser inteligente,
Convincente
Para me convencer.
Senão,
Prefiro andar na contra-mão.


Wagner Pires
in, Crônicas de Um Andarilho