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Eu curtia navegar pelas redes sociais ler postagens e comentários, porém a cada dia tem me irritado mais e mais o que os algoritmos tem me mostrado. Principalmente no X (antigo Twitter), o algoritmo faz questão de me mostrar aquilo que eu mais odeio: mentira e burrice.
A mentira e a burrice caminham de mãos dadas, como se estivessem organicamente entrelaçadas. Uma alimenta a outra. Conveniência mútua, num pacto silencioso em busca da anestesia do pensamento e da manutenção dos privilégios, na sobrevivência da própria mediocridade - egoísmo confortável.
A burrice não é a falta de estudo, de diploma, de posição social, de qualificação profissional, condição financeira. A burrice é a incapacidade de reconhecer que está errado em seus pensamentos e atitudes, em seus ideais e princípios. Falta de argumentação. Uma mente limitada com ausência de dados reais e concretos que justifiquem suas ideias - pobres em conteúdo.
Mesmo com tamanha facilidade de acesso a todo tipo de informação através da internet, alguns teimam em ficarem fielmente presos em seus conceitos. Não estudam, não leem, não questionam. Pior, por causa disso não conseguem debater.
Sendo assim, dentro de si, são sabedores da sua ignorância, mas preferem externar esta estupidez. Muitas das vezes com agressividade e violência.
Outros foram tão mal formados que já não conseguem assimilar conhecimento. Numa mente cauterizada pela falta de estudo, ou numa má formação educacional - pode-se ampliar à má formação religiosa - melhor seria não ter nenhuma formação religiosa.
Apresentam atitudes de puro interesse, concordam e assimilam apenas aquilo que lhes convém: socialmente, politicamente, financeiramente, religiosamente, e aí por diante.
Conservadores e tradicionalistas, não tem capacidade para acompanhar a velocidade do mundo moderno - raciocínio lento, dificuldade em aprendizado.
O projeto de vida destas pessoas baseiam-se nas teorias e conceitos dos séculos 15 a 18.
Incoerentes opressores nacionalistas isolados entre quatro paredes com intuito de conquistar para subjugar e escravizar.
Eu digo que a preguiça mentalcausa a burrice. Poderia enumerar, ainda, uma série de substantivos abstratos que adjetivassem um burro: soberba, arrogância, prepotência, insegurança, estupidez, covardia, egoísmo, teimosia, medo, entre outros.
Ao ver uma falsa notícia, mas que vá ao encontro de sua ideologia, o cidadão preso em sua ideologia político-religiosa (que tem se tornado proeminente entre outras ideologias) tem preguiça de fazer uma pequena pesquisa para saber da sua veracidade - com medo de saber da verdade e admitir que o outro lado está correto - soberba.
Pior ainda, a insegurança de acreditar que um dia ele possa a vir mudar de lado - medo.
Admitir que um dia esteve errado: reconhecer, considerar, se desculpar, é um ato de nobreza, de riqueza e maturidade - "o arrogante morre na teimosia da sua ignorância, sendo incapaz de adquirir conhecimento de alguém" (Wagner Pires, 15/12/2014).
Estranhamente, eu vejo que uma certa comunidade, ou um determinado grupo, quanto mais inculto, mais arrogante, menos evolui, mais imaturo, menos próspero. Estes comportamentos os tornam narcisistas barulhentos querendo exclusiva atenção. Confrontados, fazem do barulho, da gritaria, da ofensa, da violência a resposta pela sua falta de conhecimento e de conteúdo.
Porque nações prósperas, como as nórdicas, por exemplo, são claras, transparentes, menos corruptas, mais cultas, mais prósperas, mais sociais, mais igualitárias, mais pacientes, mais pacíficas?
Em meus textos, eu sempre insisto em dizer que o Brasil decaiu em sua formação educacional a partir dos anos 60 (curiosamente no período da ditadura militar), e a cada dia vem piorando o ensino nas escolas, sejam públicas ou privadas. O não ensinar é uma prática meticulosamente pensada pelos governantes e oligarcas, objetivada para não formar sábios questionadores.
Os poucos questionadores e formadores de opinião criam discípulos formadores de opinião capazes de brigar por justiça, ou são fruto de uma herança familiar, ou indignados com a própria situação, ou talvez um dom natural, um autodidata. São revoltos contra este sistema que tem definhado a mente pensante, que tem descaracterizado a cultura, corrompido os valores.
Eu não sei se me irrito e faço algum comentário nas postagens absurdas que eu tenho lido, ou se apenas dou risada da tamanha imbecilidade e rolo o feed.
Por isso eu solitariamente desabafo sobre estas questões.
Pós ataque contra a Venezuela, uma enxurrada de postagens absurdamente tolas, inconsequentes, enganadoras, foram defecadas nas redes sociais.
Comparações exdrúxulas com o regime nazista de Hitler, por exemplo.
Um certo jovem deputado (jovem de idade, jovem de mandato) introduziu e induziu estas comparações impensadas (postagens de mentiras sensacionalistas e perigosas de interesses pessoais e político é prática comum deste deputado que se esconde atrás da imunidade parlamentar, ao invés de verdadeiramente trabalhar em benefício da nação, honrar o voto de seus eleitores - trabalhar não é o seu talento e, ainda assim, seus eleitores encontram nisso alento).
A figura de Hitler jamais poderia ser comparada a de Nicolás Maduro, mas sim Donald Trump, o invasor. A soberania da Alemanha não foi violada pelos aliados, mas os alemães é que violaram a soberania de quase toda Europa.
Um outro (des)influencer comediante (sem nenhuma graça), comparou a invasão da Venezuela como se fosse a casa onde uma família era constantemente agredida pelo marido. Sem pé, nem cabeça. Mas se a comparação tivesse que fazer algum sentido, a figura de polícia para restaurar a paz não seria de um outro país, e sim da ONU, afinal, ela foi criada exatamente para isto (porém nunca o fez desde a sua origem - visto os 13 grandes conflitos com milhares de mortes entre países, além de centenas de outros de menor impacto).
Por falar em influencer, o Brasil está virando uma fábrica deste tipo de gente. Eles agregam multidões, mas assim como eles, sem conteúdo. Todos seguem o mesmo protocolo, o mesmo roteiro. Procuram a polêmica para ganhar likes, views, curtidas, seguidores. Quanto maior a bobagem que sai da sua boca, dos seus textos e vídeos, maior o alcance. Sendo assim, a mentira e a burrice, de mão dupla, vai derrubando fronteiras.
O pior é que estas burras mentiras tem arrastado uma grande parte da população e me chateia por preocupar-me com o futuro.
Assim como tivemos um presidente incapaz de formular uma frase, incapaz de ter compaixão, incapaz de ser solidário, incapaz de externar amor - um presidente incapaz de governar - logo teremos algum jovem influencer com indigência intelectual como líder de uma nação pelo simples fato dele ter milhões de seguidores sem qualquer critério de avaliação além de uma adesão cega, sem autonomia intelectual.
Qualquer picareta: coach, influencer, pastor, empresário, poderá manipular a massa, levar o mundo ao caos - depois colocam a culpa em satanás ou no comunismo, e com muita facilidade os tolos acreditam.
E assim, a cada dia, teremos um povo orgulhoso da própria burrice, sendo noticiados por jornalistas pobres de pensamento para elegerem políticos à sua imagem e semelhança, que legislam em prol de ricos empresários com pobreza cognitiva. Todos vivendo à custa das mentiras inventadas para manter no poder político-econômico ditadores imperialistas fascistas.
por Wagner Pires
in, Silêncio, O Culto.











