terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O ORGULHO DE SER BURRO

imagem: https://www.comprerural.com/melhores-racas-de-jumentos-que-voce-nao-conhecia/



Eu curtia navegar pelas redes sociais ler postagens e comentários, porém a cada dia tem me irritado mais e mais o que os algoritmos tem me mostrado. Principalmente no X (antigo Twitter), o algoritmo faz questão de me mostrar aquilo que eu mais odeio: mentira e burrice.

A mentira e a burrice caminham de mãos dadas, como se estivessem organicamente entrelaçadas. Uma alimenta a outra. Conveniência mútua, num pacto silencioso em busca da anestesia do pensamento e da manutenção dos privilégios, na sobrevivência da própria mediocridade - egoísmo confortável.

A burrice não é a falta de estudo, de diploma, de posição social, de qualificação profissional, condição financeira. A burrice é a incapacidade de reconhecer que está errado em seus pensamentos e atitudes, em seus ideais e princípios. Falta de argumentação. Uma mente limitada com ausência de dados reais e concretos que justifiquem suas ideias - pobres em conteúdo.

Mesmo com tamanha facilidade de acesso a todo tipo de informação através da internet,  alguns teimam em ficarem fielmente presos em seus conceitos. Não estudam, não leem, não questionam. Pior, por causa disso não conseguem debater.
Sendo assim, dentro de si, são sabedores da sua ignorância, mas preferem externar esta estupidez. Muitas das vezes com agressividade e violência.
Outros foram tão mal formados que já não conseguem assimilar conhecimento. Numa mente cauterizada pela falta de estudo, ou numa má formação educacional - pode-se ampliar à má formação religiosa - melhor seria não ter nenhuma formação religiosa.

Apresentam atitudes de puro interesse, concordam e assimilam apenas aquilo que lhes convém: socialmente, politicamente, financeiramente, religiosamente, e aí por diante.
Conservadores e tradicionalistas, não tem capacidade para acompanhar a velocidade do mundo moderno - raciocínio lento, dificuldade em aprendizado.
O projeto de vida destas pessoas baseiam-se nas teorias e conceitos dos séculos 15 a 18.
Incoerentes opressores nacionalistas isolados entre quatro paredes com intuito de conquistar para subjugar e escravizar.

Eu digo que a preguiça mentalcausa a burrice. Poderia enumerar, ainda, uma série de substantivos abstratos que adjetivassem um burro: soberba, arrogância, prepotência, insegurança, estupidez, covardia, egoísmo, teimosia, medo, entre outros.

Ao ver uma falsa notícia, mas que vá ao encontro de sua ideologia, o cidadão preso em sua  ideologia político-religiosa (que tem se tornado proeminente entre outras ideologias) tem preguiça de fazer uma pequena pesquisa para saber da sua veracidade - com medo de saber da verdade e admitir que o outro lado está correto - soberba.
Pior ainda, a insegurança de acreditar que um dia ele possa a vir mudar de lado - medo.
Admitir que um dia esteve errado: reconhecer, considerar, se desculpar, é um ato de nobreza, de riqueza e maturidade - "o arrogante morre na teimosia da sua ignorância, sendo incapaz de adquirir conhecimento de alguém" (Wagner Pires, 15/12/2014).

Estranhamente, eu vejo que uma certa comunidade, ou um determinado grupo, quanto mais inculto, mais arrogante, menos evolui, mais imaturo, menos próspero. Estes comportamentos os tornam narcisistas barulhentos querendo exclusiva atenção. Confrontados, fazem do barulho, da gritaria, da ofensa, da violência a resposta pela sua falta de conhecimento e de conteúdo.
Porque nações prósperas, como as nórdicas, por exemplo, são claras, transparentes, menos corruptas, mais cultas, mais prósperas, mais sociais, mais igualitárias, mais pacientes, mais pacíficas?

Em meus textos, eu sempre insisto em dizer que o Brasil decaiu em sua formação educacional a partir dos anos 60 (curiosamente no período da ditadura militar), e a cada dia vem piorando o ensino nas escolas, sejam públicas ou privadas. O não ensinar é uma prática meticulosamente pensada pelos governantes e oligarcas, objetivada para não formar sábios questionadores.
Os poucos questionadores e formadores de opinião criam discípulos formadores de opinião capazes de brigar por justiça, ou são fruto de uma herança familiar, ou indignados com a própria situação, ou talvez um dom natural, um autodidata. São revoltos contra este sistema que tem definhado a mente pensante, que tem descaracterizado a cultura, corrompido os valores.

Eu não sei se me irrito e faço algum comentário nas postagens absurdas que eu tenho lido, ou se apenas dou risada da tamanha imbecilidade e rolo o feed.
Por isso eu solitariamente desabafo sobre estas questões.

Pós ataque contra a Venezuela, uma enxurrada de postagens absurdamente tolas, inconsequentes, enganadoras, foram defecadas nas redes sociais.
Comparações exdrúxulas com o regime nazista de Hitler, por exemplo.
Um certo jovem deputado (jovem de idade, jovem de mandato) introduziu e induziu estas comparações impensadas (postagens de mentiras sensacionalistas e perigosas de interesses pessoais e político é prática comum deste deputado que se esconde atrás da imunidade parlamentar, ao invés de verdadeiramente trabalhar em benefício da nação, honrar o voto de seus eleitores - trabalhar não é o seu talento e, ainda assim, seus eleitores encontram nisso alento).
A figura de Hitler jamais poderia ser comparada a de Nicolás Maduro, mas sim Donald Trump, o invasor. A soberania da Alemanha não foi violada pelos aliados, mas os alemães é que violaram a soberania de quase toda Europa.
Um outro (des)influencer comediante (sem nenhuma graça), comparou a invasão da Venezuela como se fosse a casa onde uma família era constantemente agredida pelo marido. Sem pé, nem cabeça. Mas se a comparação tivesse que fazer algum sentido, a figura de polícia para restaurar a paz não seria de um outro país, e sim da ONU, afinal, ela foi criada exatamente para isto (porém nunca o fez desde a sua origem - visto os 13 grandes conflitos com milhares de mortes entre países, além de centenas de outros de menor impacto).

Por falar em influencer, o Brasil está virando uma fábrica deste tipo de gente. Eles agregam multidões, mas assim como eles, sem conteúdo. Todos seguem o mesmo protocolo, o mesmo roteiro. Procuram a polêmica para ganhar likes, views, curtidas, seguidores. Quanto maior a bobagem que sai da sua boca, dos seus textos e vídeos, maior o alcance. Sendo assim, a mentira e a burrice, de mão dupla, vai derrubando fronteiras. 

O pior é que estas burras mentiras tem arrastado uma grande parte da população e me chateia por preocupar-me com o futuro.
Assim como tivemos um presidente incapaz de formular uma frase, incapaz de ter compaixão, incapaz de ser solidário, incapaz de externar amor - um presidente incapaz de governar - logo teremos algum jovem influencer com indigência intelectual como líder de uma nação pelo simples fato dele ter milhões de seguidores sem qualquer critério de avaliação além de uma adesão cega, sem autonomia intelectual.
Qualquer picareta: coach, influencer, pastor, empresário, poderá manipular a massa, levar o mundo ao caos - depois colocam a culpa em satanás ou no comunismo, e com muita facilidade os tolos acreditam.

E assim, a cada dia, teremos um povo orgulhoso da própria burrice, sendo noticiados por jornalistas pobres de pensamento para elegerem políticos à sua imagem e semelhança, que legislam em prol de ricos empresários com pobreza cognitiva. Todos vivendo à custa das mentiras inventadas para manter no poder político-econômico ditadores imperialistas  fascistas.



por Wagner Pires
in, Silêncio, O Culto.

segunda-feira, 3 de novembro de 2025

O OVO OU A GALINHA

origem da imagem: https://www.kitchenstories.com/de/stories/eier-kochen-leicht-gemacht?epik=dj0yJnU9TFNxMV9FTG5FS1JnU0VyX1ptdW9reHN1VWROb2M3bXgmcD0wJm49OU42NG1DNnpwMk5sREFlSUNYUHNrUSZ0PUFBQUFBR2tJdWJr


Vítimas da sociedade!
Vítimas da sociedade?
Vítima de si mesmo.
Vítima da ganância.
Vítima da preguiça.
Vítima da falta de vontade.
Vítima do comodismo.
Vítima do mau-caráter.
Vítima da falta de visão.
Vítima do planejamento errado.
Vítima por não ter um planejamento.
Vítima da criação familiar.
Vítima da formação familiar.
Vítima da religião.
Vítima da fé.
Vítima das mentiras.
Vítima dos interesses.
Vítima dos erros pessoais. 
Vítima dos erros sociais.
Vítima dos erros coletivos. 
Vítima dos erros políticos. 
Vítima do voto.
Vítima do sistema.
Vítima da falta de cultura
Vítima da falta de educação.
Vítima da falta de inteligência.
Vítima da falta de sabedoria.
Vítima da falta de incentivo.
Vítima da falta de água.
Vítima da falta de esgoto.
Vítima da falta de moradia.
Vítima da falta de trabalho.
Vítima da falta de oportunidade.
Vítima do seu próprio oportunismo.
Vítima do trabalho desgastante.
Vítima da gestão opressora.
Vítima da instalação da República.
Vítima de uma democracia fracassada.
Vítima de um capitalismo ultrapassado.
Vítima do consumismo.
Vítima da modernidade.
Vítima de uma sociedade doente.
Vítima do vitimismo.

A verdade é condenada a ser uma mentira.
A mentira virou um padrão de vida.

A direita culpa a esquerda.
A esquerda culpa a direita.

Gestor público que ataca o crime quando há interesses pessoais.
Gestor público que promove o crime quando tem interesses pessoais.

A sociedade é vítima do sistema.
O sistema é vitima da sociedade.



by Wagner Pires
in, Silêncio, O Culto

quinta-feira, 25 de setembro de 2025

O CIRCO

fonte da imagem: https://br.pinterest.com/pin/21532904464249925/



Sento-me solitário no meio do picadeiro
Nāo te vejo sentada na platéia vazia
Sinto-me abandonado 
Nos holofotes apagados sopra o ar do silêncio

Já nāo tenho vestes coloridas
Sāo trajes em preto e branco, cinza, pálido
Nem calço aqueles enormes vermelhos sapatos
Hoje, me pesa o caminhar descalço

Ainda assim, consigo sentir tua tristeza
Vejo o escorrer de algumas lágrimas
Vindas das tuas lembranças
De quando eu sorria e te fazia sorrir

Tantas fotografias que acabaram arquivadas numa caixa
Como memória - restou uma única pregada na parede
Junto ao vaso de flores regado pela chuva
Enquanto sou privado de ver o nascer e o pôr do sol

O mundo nāo é mais o mesmo de um tempo tāo recente
Entre madrugadas quentes acordados e tardes em frente à tela
Repouso encolhido numa noite fria
Escondido, para que nāo seja devorado

Segue seu caminho, virando-me as costas
Deixando um obstáculo entre nós
Sāo caminhos opostos, direções contrárias
Enquanto você se renova, fico sem pressa de despertar



por Wagner Pires
in, Roteiros de Uma Rotina

quarta-feira, 17 de setembro de 2025

MERIDIANOS PARALELOS

 

fonte da imagem desconhecida


Num tempo bem distante,
A distância entre o nosso nascimento nos distanciou.
Atitudes, comportamentos e divergentes pensamentos
Foram distanciando os sentimentos.
Consequentemente,
Distanciando-nos fisicamente.
Hoje,
Mesmo neste imenso universo virtual,
Onde nāo deveria haver distância,
Pois aproxima olhares, sons e vozes;
Nesta distância territorial,
Ainda persiste a distância entre nós.
Restam apenas palavras,
cada vez mais distantes.



por Wagner Pires
in, Crônicas de Um Andarilho

sábado, 23 de agosto de 2025

NÃO TENHO SAUDADES DA AMÉLIA

fonte da imagem: https://www.badische-zeitung.de/misshandelte-frau-verweigert-in-loerrach-aussage-vor-gericht-lebensgefaehrte-wird-freigesprochen



O marido zomba da esposa em público, a humilha, a maltrata. Disfarça um tímido carinho desajeitado. Alguns momentos chega até a agressão física e moral.
 
Toda a família sabe de suas mentiras, aliás todo o bairro, toda a cidade. Nunca escondeu que não tinha amor, desejo, compaixão, apenas um cômodo interesse no relacionamento para manter as aparências. Fingi ser um relacionamento.

A mulher, na sua ignorância, na sua fé, no seu desespero, na sua falta de amor, falta de amor até por si mesma, acredita cegamente em tudo o que o marido diz.
Não adianta um familiar, um amigo, um vizinho, um desconhecido tentr alerta-la.
Nada é suficiente para fazê-la enxergar a verdade.

Não tem inteligência suficiente para discernir o certo do errado.
Prefere viver de migalhas destas mentiras do que enfrentar os fatos.

E mesmo assim se doa ao marido. Preocupa-se com as refeições, com a casa arrumada, as roupas bem lavadas e passadas. Faz tudo além de suas forças, além de suas obrigações.
Vive uma ilusão, negando as verdade, uma vaidosa superficialidade fingida e dissimulada - hipócrita.

Assim é o movimento bolsonarista.

Nunca houve um amor pelo povo, pela pátria, pela liberdade, pela democracia, pelo progresso.
Seus eleitores, são a figura desta mulher.
No desespero em uma falta de sabedoria e inteligência, acreditam nas histórias muito mal contadas.
Por causa do medo, também gerado pela falta de conhecimento, são iludidos e preferem acreditar numa falsa esperança.

O Bolsonaro nunca apresentou atitudes de conservadorismo. Vê-se principalmente pelas falas rudes, torpes, de baixo calão; pela sua vida pessoal; pela falta de respeito até mesmo entre sesus familiares (esposa, filhos, etc) e assessores e apoiadores.

Os Bolsonaros brincam com o sentimento do povo.

Confunde-se a si mesmo em questão de religião. Se diz cristão pendendo para o protestantismo, mas faz mensão às doutrinas católicas. Se diz pela vida, contra o aborto, mas ama a morte, a dor, a tortura, o sofrimento de qualquer um que seja contra os seus objetivos pessoais de riqueza e poder.

A vida dos Bolsonaros é uma mentira. Se perdem em tantas histórias mal contadas que até esquecem destas suas próprias mentiras que foram ditas.

Não tem aliados, não tem partido, não tem amigos, não tem religião. Tem apenas o desejo de sugar algo de alguém em momentos específicos para benefício próprio. 

Um ser desprezível, um mal caráter, invejoso, manipulador. Características de um psicopata - um sociopata.

O bolsonarismo é uma doença.
Uma sociedade doente.
Carente e presa em seus medos e traumas.
Uma educação doente.
Mal instruída, mal formada, mal orientada.
Uma religião doente.
Perdeu-se a origem para basear-se no poder.

A violência física e verbal é a arma de pessoas doentes.



Wagner Pires
in, Silêncio, O Culto


domingo, 15 de junho de 2025

INOCÊNCIA

origem da imagem: https://br.pinterest.com/pin/72831718972728603/



Correndo, e os olhos a estarem fechados,
Sorriso largamente aberto,
Braços estendidos para os lados,
O vento abraça,
O mundo se deixa abraçar.

Cabeça jogada observando as nuvens,
Ouvidos astutos à natureza.
Exalando uma alegria,
Com segurança e coragem.
Impedindo que uma lágrima sequer possa escorrer pelo rosto.

Este sorriso exibindo os brancos dentes,
Pernas não tão firmes, porém velozes.
Mesmo sem ter pressa de chegar.
Nāo se atreve a olhar para traz,
Fixa a memória para o que e vem a frente.

Um pássaro voa de um lado e o riacho corre ao outro.
Hamonia perfeita: o canto e os arranjos
Estralar da grama seca,
Contrasta com a relva tão verde
E o bailar das folhas nos galhos

Total despreocupação: reflete o brilho do sol neste sorriso
Pele ardente tornando as bochechas rosadas, refrescada pela chuva.
Barro espirrado deixam os calçados encharcados,
Camiseta molhada, borrada; o calção pesado quase caindo,
Chegando próximo às pequeninas meias - que um dia foram brancas.

Não sei se era uma intensa chuva de verão,
Ou a fria e fina garoa de outono.
No horizonte reflete as cores do arco íris.
Não importa o tempo ou a estação.
Se há frutos nas árvores, ou se ainda florescem.

Correr por simplesmente correr esta distância
Sem a obrigaçāo de se chegar a um destino.
Partir, apenas partir
Deleitando-se como numa infância,
Antes que a vida lhe transforme num adulto.


por Wagner Pires
in, Crônicas de Um Andarilho

quinta-feira, 22 de maio de 2025

EU TÔ NA AZIA




- Tenho ouvido muitos rumores de que você quer me deixar.....

- Não, não são rumores. Nunca escondi isso, nem de você, nem de ninguém. Pelo contrário, tenho sido claro e direto.

- O que eu fiz para que tomasse esta decisão?

- Justamente esse é o ponto: você não tem feito mais nada. Nenhuma novidade, nenhum movimento, nada que despertasse um novo brilho em meus olhos. Nenhuma lâmpada mágica que se acenda em minha mente. Sempre os mesmos Roteiros de uma Rotina repetidos à exaustão neste COTIDIANO. Deixei de ser aquele aventureiro que narrava as Crônicas de um Andarilho.

- E teus sonhos..... comigo? Tudo aquilo que planejou, que desejou?

- Não consigo enxergar qualquer possibilidade. Parece tudo impossível agora. Não há mais tempo, forças, capacidade, apenas desejos e interesses..... vontades..... Este tempo passou depressa demais. Fui incapaz de transforma-los em realidade. Cometi muitos erros, tomei caminhos equivocados. Hoje, tudo se resume a um árido trabalho, um desgaste físico e mental sem perspectiva. Um grão insignificante neste imenso universo.
Num misto de depressão e ansiedade, numa banalidade e, para isso, já não tenho mais idade.

- Sim..... idade..... todos estes anos juntos. Pretende jogar tudo fora?

- Eu sei..... tivemos uma longa trajetória: oportunidades, experiências, comnhecimento..... Repleta de momentos incríveis. Histórias verdadeiras que pude contar para àqueles que queriam ouvir. Não se trata de jogar fora - isso seria impossível. Ninguém pode simplesmente querer apagar e esquecer, rasgar as páginas escritas. O que vivemos,  vivemos. O decorrer do futuro podem-se esquecer, mas jamais deletado. Talvez, para alguém, para alguma coisa, em algum lugar tudo ficou registrado. Não foram mentiras; foram vivências, acontecimentos que jamais deixarão de existir. Minhas histórias, minhas lembranças..... os relatos descritos que eu deixei, que ficarão nestas nuvens, quem sabe um dia alcance uns desconhecidos, mesmo que eu tenha sido um desconhecido. Estas histórias são mensagens que viajarão eternamente por todo o universo.

- Não vale a pena ainda tentar, insistir..... ?

- Não sei ainda..... até quando?...... Quantas bodas ainda mais virão? Proveitosas, inúteis, indiferentes?..... O quanto um ainda é importante para o outro?

- Não estou com ciúmes ou inveja, mas..... essa outra?

- É um mistério. Mistério para mim, mistério para todos. Um enigma para os estudiosos, um abismo para os leigos. Simplesmente o mistério da humanidade. Ninguém pode afirmar se esta decisão é a certa. Não adianta discurso religiosos querendo me afrontar, ou me justificar.

- Você sabe que não tem como se arrepender, nem voltar atrás. É um caminho sem volta. Não terei como te compreender e te aceitar de volta arrependido.

- Claro que sei. Não seria ingênuo em achar que poderia regressar a você. Tenho plena consciência de tão quão importante foi você para mim. Afinal, deixei semente que brotou, floresceu, frutificou, amadureceu. Prosperou, e como prosperou - em todos os aspectos, e você tem acompanhado isto. E que este fruto possa seguir este mesmo caminho de plantar outras sementes. Sementes físicas, sementes de histórias, sementes de caráter e personalidade. Semente de capacidade e inteligência. Muito mais capaz e eficiente do que eu. E que isso perdure de gereção em geração.

- Tem ideia de como será a partir do momento em que me deixar?

- Deixar você..... não será nada mágico, místico, ou transcendental. Será apenas como o apagar de uma luz. Fechar os olhos e adormecer profundamente, sem sonhos, sem pesadelos. Apenas o silêncio..... e a companhia da minha nova parceira. Não fará promessas e não me alimentará com ilusões. Não será feliz ou triste, bela ou feia, meiga ou rude, ela apenas será. Simplesmente estará comigo, ao meu lado, juntos para toda a eternidade.



por Wagner Pires
in Silêncio, O Culto

terça-feira, 13 de maio de 2025

"JENIALIDADE"

https://br.pinterest.com/pin/3940718417692687/


Haja paciência para que se possa ter uma digna sobrevivência.

Hora de acordar, caminhar por ruas esburacadas, mal tratadas e você tropeça na falta de respeito das pessoas que encontram pelo caminho.
Tenta atravessar uma passarela e tem que se espremer nas grades, poorque o inflado egoismo de um grupo de três pessoas conversando lado a lado ofuscou a visão não permitindo que me visse em sentido contrário.
Chego à uma estreitíssima calçada e o fato se repete. Um casal tão apaixonado que não vê mais ninguém no caminho e não conseguem simplesmente por uma fração de segundo largarem as mãos. Eles estão indo, sem se preocupar com quem está vindo.

Chego no ponto de ônibus e aí é um salve-se quem puder, todos querem entrar primeiro, é um empurra-empurra. Prioridade, não existe. Mochilas às costas, ou deixadas no banco que deveria estar vazio. Penduram-se aos ferros e não dão licença, estacionam nas portas. A gentileza é história do passado, apenas guardada na memória de algum museu.

Não é nada diferente quando vou às compras, os preços estão caros, a grosseria é gratuita.
Nos corredores e, principalmente, quando se chega ao caixa. Furam a fila, também não se respeitam as prioridades, deixam produtos na esteira, carrinhos pelo caminho. Não tem pressa de embalar as compras, muito menos para efetuar o pagamento - calmamente pegam a carteira que está na bolsa, procuram o cartão, e ainda pegam o cartão errado. Consultam o saldo no celular que não consegue sinal de rede. Parece que estão passeando em turismo pela Champs-Elysées. Esperar, fazer o que!

Carrego tudo no meu carro e tento voltar para casa. Ônibus e caminhões saem em velocidade de suas exclusivas faixas e invadem as demais. Motos atravessam o caminho zigue-zagueando, buzinando, escapamentos adulterados. Todos alterados: gritam, xingam, brigam, sacam uma arma. Um rali de egos e desanteção. Falta de atenção e um lerdo reflexo. Reflexo de comportamento em que o seu umbigo vale mais do que uma vida.

Me sento ao balcão da cafeteria, o desrespeito senta ao lado. Curiosamente, o desrespeito vem dos dois lados do balcão, seja num serviço privado, ou público. Agressivamente, o "rei" faz o seu pedido, e o atendente reage como um "súdito" revoltado. Estressado por ter caminhado em estreitas calçadas, atravessado tumultuadas passarelas e chegando ao trabalho em transporte lotado. Muitas vezes num trabalho de uma relação: exploração x desinteresse (eu quero contra o eu preciso - conflito sem equilíbrio). O cliente atravessou a cidade por vias congestionadas com caminhões, ônibus, carros e motos disputando um campeonato de tempo e espaço.

O estressado cidadão, morador numa cidade sem um Plano Diretor, ou, talvez, com um Plano Diretor voltado aos interesses das construtoras, do setor imobiliário, do comércio local, mas nunca voltado a eficiência e qualidade de vida.
Altos prédios com seus minúsculos e desconfortáveis apartamentos deixam a tensão nas alturas. A cidade espremida.
Sem poder se expressar, nas comunidades os moradores esquecidos, nas calçadas os moradores invisíveis.
Inviável qualquer plano de resocialização. Não há uma efetiva ação, porque ninguém tem razão. Políticos, polícia, poder público, abandonados, drogados, crime organizado numa cidade desorganizada. Na mídia se faz muito barulho para nada.

O barulho invade a vida das pessoas na velocidade do som. Uma trilha sonora mal redigida muita mau regida. Sem harmonia.
Motos envenenadas, carros com em seu alto volume de um estilo musical piorado. Estes estilos musicais brega também acupam os restaurantes, não há diálogo porque o som se sobressai. 
Diálogos de narcisistas viraram um linguajar tosco, limitado e de baixo calão.

Ouve-se ainda o ruído de uma política que desmorona, em frangalhos. Uma polarização burra por uma admiração cega por um "mito" que surgiu de uma fé exagerada aprisionada em um ambiente intolerante, desigual e cruel. Onde deveria se pregar a vida, se doutrina a morte.
Morte da liberdade, morte dos ideiais, morte dos desiguais.

Neste tempo, vemos morrer a sabedoria e a inteligência. As telas brilhantes dos celulares estão apagando as mentes brilhantes. Não existe mais a ponte ao conhecimento, são dois lados que não se conectam. Um lado é um espelho que reflete uma imagem de vaidade e busca frenética por atenção. Do outro lado a incapacidade de discernir o certo - a ilusão - uma vida bem dotada de maravilhas.

A mentira virou uma verdade - virou um método. A verdade deve ser enxovalhada - contestada e ironizada.

A linha tênua que separa o ufanista e a síndrome de viralata. Esta separação nada constrói, apenas destrói. Um nacionalismo, ou ausência dele, que se afastam por não terem senso crítico.

Momento crítico: a ignorância (falta de inteligência) do brasileiro. Não importa se é aquele privado de oportunidade, ou aquele diplomado numa escola privada, muito bem empregado, bem remunerado, profissional prestigiado.

O verdadeiro saber vem da humildade. E esta, parece, anda muito em falta.



por Wagner Pires
uma crônica em Silêncio, O Culto 



domingo, 4 de maio de 2025

OBSERVATÓRIO: OBSERVANDO UMA RENCA DE OTÁRIOS

 

https://jrocheleau.blogspot.com/2015/01/originaux.html



O Brasil é, sem exagero, um país estranho.

Um grande público passou dias acampado em frente a um hotel na cidade do Rio de Janeiro, usando fraldas, rolando-se no chão, lamentando-se e chorando, enquanto comia - depois de sofrer com fome, sede e calor - esperando um simples acenar de sua diva que iria se apresentar ganhando milhões em cachê em dinheiro saído dos cofres público, a qual é abastecido, também, e não só, por estes mesmo público.

Outro grupo se tranca numa igreja para ouvir as "profetadas" de um mini coach gospel. Uma criança arrogante e mal educada de apenas 14 anos de idade, que mistura um inglês sofrível, um português mal falado e idiomas imaginados e inventados em sua cabeca - como se fosse um emissário celestial com conexão via Wi-Fi com um deus inexistente vindo do além. O que ele e seus irresponsáveis pais querem mesmo é ganhar um bom vintém.

Há também os que vestem a camisa da seleção brasileira de futebol, a camisa canarinho, como se fosse um uniforme de guerra, marcham em avenidas pedindo a anistia para criminosos e, entre uma oração para pneus, chamados desesperadores para extraterrestres e uma aventura na parte externa frontal da cabine de um caminhão em plena rodovia, acreditam sinceramente estarem salvando a amada e idolatrada pátria. Porém, embarcaram numa modesta e furada catraia.

Até aqui, tudo normal - ou melhor, anormal, mas já quase habital neste decadente país tão desigual.

Acontece que, pensando bem, esses grupos muitas vezes se sobrepõem. O fiel que chora diante do púlpito do picareta orador é o mesmo que se ajoelha no quente asfalto clamando pela vida do golpista. O cidadão que defende teorias conspiratórios nas redes sociais, dignas de um roteiro hollywoodiano, é aquele que vê comunismo na cor vermelha da embalagem de ketchup - odeia a ideia da sua seleção, possivelmente, trocar o amarelo canário de sua camisa por um vermelho que simboliza as cores da árvore do pau brasil. São os mesmos que acreditam, com fé inabalável em qualquer: lorota, asneira ou fake news bem empacotada.

Não para por aí.

Também tem os malucos diplomados que se vestem de terno. Homens feitos, bem instruídos, que choraram quando souberam que um jogador de futebol, multimilionário - já aposentado - voltaria ao Brasil para faturar mais uns bons milhões de reais apenas assistindo aos desfiles na Marquês da Sapucaí enquanto promete um conto de fadas com um final feliz, semelhante às comédias românticas da Disney, para o seu time de coração. E até mesmo o sonho para a sua seleção.

Crianças de oito, nove, dez anos com cabelos tingidos de vermelho, choram desesperadamente enquanto repetem o refrão de letras recheadas de apologia ao crime, às drogas, ao sexo, à misoginia. Mal sabem o que estão cantando estes MCs e estas Pipokinhas, mas sentem tudo com a ignorante alma. E isso, talvez, seja ainda mais pertubardor.

E claro, não poderíamos esquecer dos especialistas de ocasião: os que aprendem geopolítica com os memes e virologia com vídeos de WhatsApp. São doutores do ódio, bacharéis do achismo. Ora discutem pandemias e vacinas, ora a economia global, ora a Cosntituição Federal. Os especialistas da invasão da Ucrânia, da guerra no Oriente Médio, das tarifas alfandegária mundial - sempre com a certeza de quem não entende absolutamente nada.

Por fim, restam os velhos rabugentos como eu.  Gente que, entre uma tarefa e outra, perde tempo observando este Brasil doente - e denunciando estas barbáries nas redes sociais.

Desistir de expor esta falta de cultura, ao que parece, seria a única e verdadeira loucura.


por Wagner Pires
uma crônica em Silêncio, O Culto

sábado, 26 de abril de 2025

RETRATOS DE UM BRASIL SEM TRATO

origem da imagem: https://br.pinterest.com/pin/37295503159521050/


Sexta-feira com uma chuva intensa, temperatura por volta dos 21ºC, 15 horas, chego ao banco e me dirijo aos caixas automáticos.
Todos os oito caixas estão ocupados e uma moça na fila à minha frente.
Enquanto aguardo, verifico uma moça conversando ao celular ao invés de realizar a sua transação bancária no terminal a qual está parada. Talvez estaria a conversar com alguém exatamente para realizar uma tal tarefa, ou simplemente ignorando a quem quer utilizar o sistema e é obrigado-nos a espera-la em sua vida particular.

Neste instante, duas senhorinhas, muito velhinhas, entram na agência bancária e se posicionam exatamente atrás de mim.
Um rapaz finaliza a operação e a moça à minha frente discretamente olha para mim, eu digo: "por favor moça, fique a vontade".

Foi quando, na agência bancária, entra uma senhora, com aparência humilde e de comportamente bem altivo, que aptresentava não ter nem 40 anos de idade, apesar que sugeria ter mais que isto devido seu aspecto cansado. Vestida com um longo vestido marrom de lycra, ou talvez de micro fibra, que marcava exageradamente as saliências desproporcionais do seu fino corpo. Um vestido com estampas grotescas e calçando chinelos tipo Havaianas®. Ao seu lado uma criança de uns 6 anos, aproximadamente, devido o seu falar, mas de uma pequena estatura. Alias, a mulher também apresentava uma baixa estatura.

Eis que esta senhora se encaminha diretamente aos caixas e eu chamo a sua atenção lhe mostrando a fila e orientando onde deveria se posicionar ao final e esperar a sua vez.
Isto foi o suficiente para que aos gritos me ofendesse e me ameaçasse, dizendo que eu não sabia com quem estava mexendo, que lá fora a conversa seria outra e tanto blá blá blá.
Eu digo: "minha senhora, para que este escândalo, estou apenas dizendo que tem que esperar a sua vez, respeitar as pessoas".

Não adiantava eu querer justificar, as palavras de baixo calão, as ofenças e as ameaças continuavam. Gritava que eu era chato por ser rico. Não sei de onde ela tirou esta definição, pois eu trajava uma calça jeans bem surrada, uma camiseta cinza básica, um tênis branco meio encardido devido a chuva e uma mochila de trabalho às costas. Nem aposentado sou, e ainda trabalho para seguir minha vida. E, nestes quase 65 anos de idade, com os cabelos já grisalhos, poderia me prevalecer da prioridade, mas mesmo assim me coloquei no final da fila quando cheguei para poder aguardar a minha vez. 

Um senhor, nos comenta1rios dirigidos à ela, até demonstrou dar razão à ela. Não entendi o porque, visto que não era gestante, nem com uma criança de colo, nem outro motivo aparente qualquer que a desse um direito de prioridade e, como eu disse, prioridade por prioridade, todos na fila teriam este direito: eu e as duas senhorinhas atrás de mim.

Uma outra moça ainda balbuciou algo, que eu não consegui entender, para que a mulher se calasse. Eu retruquei: "ela só vai se calar quando eu for embora". Ou não, vai saber quais foram os comentários após a minha saída.

Antes disso, já havia desocupado um dos caixas automáticos e eu sugeri que as duas senhorinhas utilizassem antes de mim.

Muitas coisas me incomodaram, não apenas a grosseria da mulher e a má educação que está passando para aquela criança, que durante os gritos, também resmungava algo, mas era impossível entender devido aos altos gritos. As ameças é que mais me chamou a atenção, não por medo, mas o que faz uma pessoa insinuar qualquer tipo de atentado?
Não sei onde ela mora, de onde vem, o que faz na vida, ou o que deixa de fazer, ou ainda o que não tem. E esta sua condição lhe da o direito de se achar superior a alguém?

O que temos visto, hoje em dia, é que a violência prevalece aos direitos. Tempos insano. Uma falta de respeito absurdo, sem lógica e sem sentido.

E como cobrar algo de uma sociedade doente, que ainda nesta semana pudemos ver nas redes sociais e nos sites de notícias um ex-presidente que, numa suposta enfermidade, desrespeitou uma profissional que estava apenas executando seu trabalho de oficial de justiça e, neste mesmo contexto e momento, desrespeitou um outro profissional que lhe estava assessorando clinicamente ou pessoalmente.

Eu sempre digo: todas as mazelas do Brasil é fruto da falta de educação. Educação que deveria vir das escolas, mas que na falta dela, desde a década de 60, foi formando famílias incapazes de dar educação familiar, formar bons cidadãos - bons cidadãos de verdade não estes que se auto intitulam cidadãos do bem, estes são hipócritas, cínicos e demagogos.

Com isto, não há mais respeito por nada e por ninguém. Vejo isso no dia a dia, em situações banais, como por exemplo, quando caminho numa estreita calçada onde caberiam 2 ou no máximo, bem apertado, 3 pessoas e no sentido contrário ao meu vem um casal que não soltam as apaixonadas mãos para que eu possa passar tranquilamente. Ou ainda, quando atravesso uma passarela, onde também caberiam no máximo 3 pessoas, e no sentido contrário vem 3 amigas, um tanto quanto avantajadas, e também não me permite passar, tendo que apertar-me às grades para poder seguir.
Não há respeito ao pedestre na faixa de pedestre, no banco reservado no transporte público, a prioridade nas filas dos supermercados. A música alta em qualquer lugar e a qualquer hora, as motos com escapamentos adulterados. O vizinho do andar de cima, ou na casa ao lado.

Estamos vivendo numa sociedade narcisista, ufanista. Egocêntricos, egoístas, arrogantes, soberbos e prepotentes; e na mairoria das vezes se escondem-se atrás de uma religião e de um deus (nunca vi um criminoso ateu ou agnóstico, muito pelo contrário, são bem fanáticos religiosos), ou querem prevalecer-se de um poder: financeiro, político, profissional ou criminal.

Se o Brasil fosse decente, não estaria descente.



Wagner Pires
in, Silêncio, O Culto

sexta-feira, 4 de abril de 2025

A INVASÃO BRITÂNICA

https://www.unijui.edu.br/unijui-fm/noticias/20824-novidade-no-ar-acompanhe-neste-sabado-o-primeiro-episodio-do-programa-invasao-britanica


Não é apenas lamento e histórias de um sexagenário, são recordações de uma experiência única, verdadeira.

Nos anos 80 pudemos presenciar a segunda invasão britânica na música.

Musicalmente foi uma década fantástica (também foi no cinema) que traz influências até aos dias de hoje: estilos, ritmos, a tecnologia e a técnica. A capacidade e criatividade de compositores e produtores. A qualidade e performance de diversos artistas nos palcos e nas telas.


ANOS 80 NA AMÉRICA

Ainda durante esta invasão pudemos presenciar o surgimento do Hip-Hop americano, o Rap, o Break e o Hardcore californiano. O pop americano aperfeiçoado com a mistura do jazz, blues, rhythm & blues.
Tanto as bandas americanas como as britânicas, trouxeram influéncia para formação das bandas brasileira na época.

Os anos 80 não foi o surgimento da dance music, ela surgiu na metade dos anos 70 saida dos guetos com o funk e ganhando o glamour com o sucesso nos cinemas de Saturday Night Fever e levado às discotecas nova iorquinas. Seu auge foi no badalado e polêmico Studio 54 (famosos hollywoodianos, sexo, álcool, drogas e dance music), que fez expandir sua caracteristica, arquitetura, decoração, luzes por casas noturnas no mundo afora.

A dance music com mistura do soul e do blues, influencias do jazz, o swing do R&B, a percurssão afro/brasileira, a conga latina, os corais gospel.
Os primeiros samples digitais com Grandmaster Flash e Afrika Bambaataa. Influências da alemã Kraftwerk e do DJ e produtor italiano Giorgio Moroder.
Revelou o talento de Donna Summer, Diana Ross, a banda Chic e o irreverente James Brown com o Funk original, Rick James.
Trilhas sonoras que agitavam as pistas de dança.

Quincy Jones, o maestro e gênio por traz do sucesso de Michael Jackson. O completíssimo Prince: cantor, compositor, guitarrista, baterista, ator, dançarino, produtor, uma figura característica e marcante. E sua rivalidade com o próprio Michael Jackson pela conquista do topo.
O swing romântico de Lionel Richie, cantor, compositor e produtor que encantava nas baladas.
Lionel Richie e Michael Jackson buscaram apoio de Stevie Wonder para realizarem um ícone da música mundial. Reuniram várias estrelas do planeta: cantores de estilos diferenciados, de lugares distintos e criaram um momento épicopara a música mundial para ajudar uma causa social, acabar coma fome na Áfria - We Are The World, produzido por Quincy Jones.
Esta produção foi inspirada num marco clássico natalino com peso político/social, no ano de 1984 - Band Aid - Do They Know It's Christmas? - originário do Live Aid, Projeto formado por cantores britânicos, aqueles que viriam a ser chamados da 2ª Invasão Britânica na Música; com o intuito de arrecadar dinheiro para combater a fome na Etiópia. Apresentando uma letra forte e direta sobre a desigualdade mundial e a crise humanitária.
Ou seja, um projeto Britânico e, também um sucesso mundial, inspirou cantores americanos a realizarem um segundo projeto em benefício âs necessidades do continente africano. 

Falei da briga pelo reinado entre Prince e Michael, mas não posso deixar de mencionar a sempre polêmica Madonna, diversos anos no topo das principais revistas e playlists das rádios mundiais. Whitney Houston, Anita Baker e Chaka Khan foram outras que se destaracam na década.

Como banda posso destacar Earth, Wind & Fire, e seu lider Maurice White, que apesar de terem surgido nos anos 70, seu sucesso foi consolidado nos anos 80. Roger Troutman foi um visionário, vocalista da banda Zapp com seu estilo Funk Eletrônico com um vocal singular, mestre na utilizazação do recurso talk box (precursor do auto tune). Posso enumerar outras que se destacaram: SOS Band, The One Way, Shalamar, Kool And Gang, The Gap Band.

A guitarra inconfundível de Nile Rodgers, produtor da banda Chic, Sisters Ledge entre outras. As batidas do pop rock de Daryl Hall & John Oates, o retorno triunfal de Tina Turner, o estilo nacionalista de Bruce Springteen, o jeito suave de Billy Joel, o estilo latino de Glória Estefan e Miami Sound Machine. A fusão do jazz, soul com o pop de George Benson. O afinadíssimo Phillip Bailey com seu falsete puro, limpo, cheio de emoção e vida que, apesar de pertencer à banda Earth, Wind & Fire, fez sucesso em carreira solo.

Se fosse falar ainda mais da música norte americana dos anos 80, deveriam ser capítulos a parte de livro devido a sua imensa variedade de estilos e ritmos, a grande quantidade de artistas.
Porém, o destaque veio da Europa.


SEGUNDA INVASÃO BRITÂNICA

A partir dos anos 70 a rádio dava lugar à televisão, e a MTV foi o catalisador do sucesso que viria a ser considerada a Segunda Invasão Britânica (a primeira foi nos anos 60 com os Beatles, Rolling Stones e The Who).
Visto que as bandas inlgesas já estavam acostumadas a produzirem videos clipes explorando todo visual de roupas, cabelos, maquiagem e cenário, a MTV aproveitou para impulsionar sua programação voltada às estas produções, pois os americanos ainda engatinhavam na produção de videos clipes. Portanto, a América foi invadida por estes  sucessos que rapidamente conquistou não só os americanos como todo o mundo.

Os britânicos com seus cabelos estilosos e roupas coloridas, em cenários exóticos detalhadamente pensado e escolhidos para cantarem seus estilos que iam do rock, pop rock, pós punk, new wave e synthpop.

Um dos mais famosos foi a banda Whan! com seu estilo pop chiclete tendo no vocal o cobiçado George Michael, com músicas com letras simples que facilmente ficavam em nossas mentes.
Outro que alcançou rapidamente o público foi a irreverência do pop, soul e reggae do visual andrógino de Boy George do Culture Club em suas músicas suavemente dançantes e baladas apaixonantes.

Da velha guarda, vindas dos anos 70, tivemos a afirmação do sucesso com o carisma e capacidade vocal de Fred Mercury à frente do Queen, em parceria com o grande guitarrista Brian May.
A explosão da banda irlandesa U2 em suas letras ácidas politizadas mescladas ao som do pós punk e sua mensagem social.
A continuidade do sucesso desde os anos 60 da banda de rock Rolling Stones.
E, porque não dizer, da também continuidade de sucesso de David Bowie em suas constanes reinvenções. Não à toa era considerado o Camaleão do Rock, pois a cada década ele se adaptava com sua capacidade criativa.

Quem também se reinventou nos anos 80 foi a banda Genesis. Do rock progressivo do final dos anos 60, para o pop progressivo, agora comandada pelos vocais e bateria de Phill Collins, trazendo sofisticação em suas criações.
Phill Collins que depois partiria para a carreira solo, assim como Peter Gabriel e Mike Rutherford.
Outro das antigas que fez sucesso no início dos anos 80 foi o produtor Alan Parsons em parceria com Eric Wolfson - Alan Parsons And Project com Eye In The Sky.
Mas também vimos o fim da banda de Birmingham Eletric Light Orchestra com destaque para Last Train To London. Um rock clássico tocado como se fosse uma ópera sideral.

Nos anos 80 vimos o brilhantismo do pop melancólico do Tears For Fear. O som eletrônico com influências do soul do Eurythmics. O synthpop de New Order e Depeche Mode com seus estilos dark soul. Ambos moldaram a música eletrônica de hoje. Assim como Pet Shop Boys, outra lenda do synthpop, que traz uma critica social inteligente e elegante.

The Police, chefiado pelo alquimista Sting, o coração poético e melódico da banda, que trouxe energia do punk ao pop jazz. Misturavam romantismo com política, obsessão e filosofia.
Tivemos o sarcástico poeticamente melancólico do estilo da banda The Smiths. Ouvir The Smiths me fazia imaginar andando pelos becos da chuvosa Londres entre seus prédios de tijolos até chegar à um pub emoldurado por chacecóis do Chelsea, Arsenal, Liverpool, Manchester, e debruçar-me numa caneca de cerveja enquanto atirava dardos na parede.

Ninguém soube explorar tão bem as telas de TV como os Duran Duran, mas não só visual, arranjos de qualidade, sempre muito bem produzidos. Os príncipes que exibiam toda  elegância em suas músicas que apresentavam o estilo new romantic no synthpop, pós punk e o rock dançante, apresentavam uma caracteristica futurista e fashion.

Por falar em Duran Duran, que trouxeram o estilo New Wave nas músicas, danças, cabelos e roupas, temos também os Thompson Twins e Talk Talk, que surgiram no synthpop, mas foram navegando em direção ao New Wave lúdico e teatral.

No synthpop mais cru, mais sujo, minimalista, temos a banda Soft Cell.

The Cure e The Cult, ambas com pegada dark intensa cheia de estilo. The Cure apresenta um romantismo sombrio, enquanto The Cult a mística do rock 'n roll.

Para finalizar, talvez, quem traz um estilo que nos faz imaginar caminhando pelas neblinas tipicamente britânica é Echo & The Bunnymen com seu estilo de rock alternativo e pós punk.


EU E A MÚSICA

Dos anos 80 me trazem músicas que me faz viajar.
Viajar pelo tempo, viajar pelo mundo através dos meus sonhos, viajar deitado em meu quarto na madrugada numa eterna viagem em busca dos meus propósitos.
Viajar conduzindo pela estrada numa madrugada qualquer em direção a um lugar qualquer sem objetivo definido. Sem pressa de chegar, sem pressa de partir.
Não sou daqueles que ficam com seus ouvidos cativos no Flashback. Muito pelo contrário. Sou eclético, mas quando se trata de Dance Music eu prefiro ser atual, acompanhar as novas tendências: o techno, house, deep, trance.....apesar que isto, às vezes, me faz lamentar, me frustrar pelos caminhos que escolhi seguir.

Comecei como DJ no início dos anos 80 numa das maiores casas noturnas de São Paulo, consequentemente do Brasil. Vivi intensamente estes anos 80. Surgi ao mesmo tempo que estes estilos e bandas se destacaram. Todos os dias que ouço estas bandas percebo que ainda estão atuais, não trazem aquela sensação de música antiga, ultrapassada, cansada, cheirando a mofo. Traz modernidade, conceitos ainda atuais. Tanto que muitos artistas de hoje usam samples e influências em suas produções hoje em dia. Algumas são regravadas, reproduzidas, remixadas, mashup, bootleg. São a base da programação de algumas rádios alternativas, que fogem da corrida pela audiência, preocupam-se apenas em agradar, tanto aos mais velhos como a um público mais jovem inteligente e exigente em qualidade.


ESPERANÇA

As rádios dos anos 60 troxeram Beatles e Cia. Os clipes na TV dos anos 80 troxeram Queen, U2, George Michael e tantos outros.
Quarenta anos se passaram e nesta era digital ainda não tivemos a "Terceira Invasão Britânica" - que nada mais é do que o desejo de se ter algo com criatividade e qualidade que dominasse o mundo musical e cultural.

Nos Spotify da vida do COTIDIANO somos fadados à monotonia, mesmice, mediocridade instrumental e de letras pobres em apologia à banalidade e futilidade.
Shows e videos com visual e coreografias apelativas. Pregam a libertade, mas vivem presos em seus pobres e limitados conceitos - preferem imitar a criar.

As músicas e artistas de hoje aparecem do nada e somem do nada. Sem identidade. Assim como a rapidez nos cliques nas redes sociais. Os interesses de hoje que podem mudar de uma noite para o dia. O que viraliza hoje, estará velho e esquecido amanhã. O que engaja hoje, pooderá ser cancelado amanhã.

Enquanto ouvimos Coldplay, Adele, Sam Smith, Billie Ailish, Tyler The Creator e poucos alguns.....aguardemos!



por Wagner Pires
in Silêncio, O Culto

domingo, 23 de março de 2025

I DON'T LIKE DANCE

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Wake up
Dance with me
Let's go
I'm your angel
Eternal friend

Feel the beat
Dance whit me
Let's go
I'm your nightmare
Hate me

Be free
Dance with me
Let's go
I'm your cure
Bitter medicine

You are trapped
Dance with me
Let's go
I'm your final destination
Don't fight

Shut up
I don't like dance
Go away
I live my dreams
Even if it's slow

I sense your presence
I don't like dance
Go away
I only have this live
I don't need new loves

Your false destination
I don't like dance
Go away
I have many tasks to do
I get upo and lie out

Seductive conversation
I don't like dance
Go away
In the exact moment, I'll turn off the light and close the door
I will meet old acquaintances



por Wagner Pires
in, Silêncio, O Culto