sexta-feira, 27 de março de 2015

EM QUALQUER ESTAÇÃO




Ventos de outono que sacodem as árvores do coração
Derramam as folhas secas dos olhos vermelhos
Começa a descer a temperatura do corpo cansado
Da busca perdida do verão, em vão
Os insetos já fizeram suas reservas
Os animais buscam o abrigo
Momento de hibernar, dormir e sonhar
Esperando o cair da neve do inverno
Nada e ninguém para aquecer
Fria e solitária fuga
Talvez subir aos altos montes da mente
Enfrentar corajosamente as nuas estradas
Brancas, pálidas, um belo cenário
A paisagem do sentimento precário
Ao som das folhas secas que quebram o silêncio
Caminhos conhecidos
Rotina do mesmo roteiro
Escritos para desabafar
Palavras que não são notadas
Lábios que nem tentam sussurra-las
Porque não há ouvidos para ouvi-las
Descer desacompanhado aos vales da alma
Quem sabe, encontrar o bando que voa para o norte
Procurando o alimento que afugenta a morte
Rumando às flores da primavera
Que anunciam o próximo verão
Ficar à espera
Wagner Pires
in, Roteiros de Uma Rotina

quarta-feira, 25 de março de 2015

CIÊNCIA EXATA




Com exatidão,
Tenho por convicção
Que associação
Não é fusão.
Dou explicação:
Acabou tudo em confusão,
Por uma simples questão:
Ao invés de multiplicação,
Divisão.
Sem dar uma outra opção.
Foi tudo em vão,
Que decepção!
Faltava ação,
E não tinha compreensão,
Exalava radiação
Sem nenhuma razão,
Talvez por não ter educação.
Se pelo menos ajudasse na adição,
Teríamos solidificação,
Confirmação.
Mas não,
Estava sempre em subtração,
Só queria extração,
Os lucros iam em redução.
Qual a solução?
Separação!


Wagner Pires
in, Crônicas de Um Andarilho

sábado, 21 de março de 2015

HOMEM TAMBÉM CHORA


Lágrimas de saudade
Do tempo que ficou no passado
Se pudesse voltar àquela cidade
Tudo seria mais bem planejado

Lágrimas de tristeza
Atitude egoísta, fico sem compreender
Nada em minha  defesa
Prefiro apagar e esquecer

Lágrimas de dor
Sentimento sofrido
Conflito de crise interior
Nada mais faz sentido

Lágrimas de felicidade
Fruto da paciência
Alegria não tem idade
Arte de criança e experiência

Lágrimas de emoção
Êxito que  se revele
Envolvendo amor e paixão
Arrepia até a flor da pele

Lágrimas de satisfação
Do trabalho já realizado
Com lógica e razão
Deixa-me ainda mais motivado



Wagner Pires, in, Crônicas de Um Andarilho, Mar 21th,  2015

quarta-feira, 18 de março de 2015

O ARTISTA





O mundo me deixa atônito: tragédias e crises.
Sou um artista anônimo, para fugir à mesmice.
Apaixonado por arquitetura,
Principalmente moderna ou européia.
História da humanidade retratada:
Evoluções e suas construções.
Projeto plantas e decorações.

Esboço cenários, rabiscos em preto e branco.
Desenhar para descontrair e relaxar.
Faço retratos, caricaturas, paisagens,
Tudo o que tenho na mente.
A mente me vem poesias, crônicas e prosas,
Quando começo a sonhar, ou para desabafar.
Falo sozinho com meus pensamentos
Transformando-os em frases e textos.

Sonhos que me fazem viajar e recordar,
É momento de gravar.
Ligo meu PC,
Procuro canções de acordo com meu momento:
Dance eletrônica, pop rock, baladas românticas...
Queria tocar um instrumento.

E quando perco o sono me vem outra parte,
Fico horas e horas em frente à TV
Assistindo a sétima arte.
Drama, comédia, ficção e aventura.
Filmes com qualidade vejo cada detalhe.
Acompanhando um bom filme, alguma fartura.

Minhas receitas doces ou salgadas,
Cozinhar é um hobby.
Crio, cozinho, relato, retrato e publico.
Admiro fotografias.
Fotografar e filmar: objetos, lugares,
Meu filho e belas mulheres.
Meu filho é outra arte.
Ah, belas mulheres...



Wagner Pires

sexta-feira, 6 de março de 2015


fonte da imagem: https://themindsjournal.com/readersblog/caption-this-wisepicks-17-april-2021/



Religião e política se misturam
E o homem as confundem:
Conflitos.
E a fé vira uma desculpa,
Ideais sem ideias, sem coerência.
Tentam impor a sua fé.
Haja paciência.
Religiosos intolerantes
Se divergem,
Cada um com sua própria ideologia criando tendência.
Interesses pessoais:
Poder, fama e riqueza.
Que tristeza!

O judaísmo nasceu quando o homem apareceu.
Fariseu, essênio e saduceu.
Muçulmanos seguem ao profeta,
Surgiram do judaísmo quando o homem se corrompeu.
Seduziu e abandonou,
Expulsou ao deserto.
Isto é certo?
Ilusão ou história?

Conquistas à leste: invasões e doutrina,
O Império criou o cenário perfeito,
Lavou as mãos, deixou o julgamento para o prefeito.
Jesus o filho de Deus:
Nasceu o Cristianismo - oportunismo.

Católicos em suas cruzadas, templários.
Perseguiram, mataram, queimaram, esquartejaram,
Todos àqueles que pensavam diferente - seus oponentes.
Cristãos questionaram: divergiram e protestaram - reformaram.
Filosofia luterana, arminiana, puritana e calvinista.
Religioso chauvinista.

O protestante a cada dia vai se dividindo.
Tradicionalistas: Presbiterianos, Metodistas,
Luteranos, Batistas...
Ortodoxo.
Ateísta, pagão, ímpio ou infiel - heterodoxo
Virgem é santa?! Carismáticos ou Romana.
Um paradoxo.
Pentecostais: Assembleianos e Deus é Amor.
O Brasil veio para Cristo e também é Congregacionista.
Numa guerra fria.

O muro caiu,
Modernizaram, deixaram as roupas e costumes.
Mergulharam no show e espetáculo:
Música, dança e teatro.
Pura fantasia num mundo de fantasias.
Creem numa utopia.
Usam brincos e tatuagens,
São novos: neopentecostais.

Gospel, brothers, clichês em inglês.
Bispos apostólicos com seus chavões: inventam analogias.
Querem a mídia, são midiáticos.
Contemporâneos tecnológicos,
Intensos nas redes sociais.
Uma câmera e muita maquiagem.
Suas planilhas são maquiadas.
Números é o principal objetivo:
Quantidade sem qualidade: é no débito, ou no crédito?
Para serem universais, mundiais e internacionais.
Renascem, lagoinhas, numa bola de neve.
Fingem pregaram a paz e a vida para sararem a terra.

Budistas, hindus e outros dizem serem testemunhas.
Batem à porta.
Testemunhas de quem?
Testemunharam o quê?
Morrem sem sangue em nome da crença.
Sem festas, sem alegria.
Pregam a cura, mas vivem na doença.
Doença no corpo, doença na alma.

Krishina e Adventistas,
Necromantes, quiromantes e cartomantes,
Cores, cristais, anjos.
Deus está nos animais, na planta, numa xícara de chá.
Kardec e Xavier.
Orixás.
Umbanda, ou candomblé.
Religiões e seitas: tudo em função da fé.

A democracia foi uma filosófica inspiração.
Vinda da cultura grega
Onde respirava o panteão.
Helênicos e seus deuses:
No habitat em que habitavam coabitavam:
Seduziam os homens,
Seduzidos pelas mulheres.
Lendas e crenças
Que viram roteiros de cinema.

Viram roteiros na mídia, nos telejornais:
Al Qaeda, Hamas, Hezbollah, Talibã.
Islamismo radical e seus seguidores,
Homens bomba,
Distorcem as palavras do profeta.
Impõe o terror,
Violentam, decapitam, matam,
Discriminam.
Nada de novo no velho mundo do poder.
História que se repete.
Prevista e planejada.
Planejam o próximo ato
Em um outro palco
Para fazerem as próximas vitimas.

Desculpa, sempre a mesma e velha desculpa:
"Em nome do seu deus".
E nos outros colocam a culpa.
Perseguem, torturam, matam,
Corrompem, roubam...
Distorcem até mesmo a própria lei para seu benefício.
Lei do temor, lei do medo, lei do terror.
Leis dos homens, leis da natureza, leis de deus.
Qual destes deuses?

Deus do trovão, deus da beleza,
Deus da fertilidade; deuses e deusas com tanta sutileza.
Deus da guerra, deus protetor, uma carnificina.
Atravessaram os mares.
As águas com sangue ficaram vermelhas.
Um novo mundo conquistaram e se instalaram.
Roubaram e mataram.
Valhalla.
Valha-me deus.

Bruxos e bruxas,
Videntes.
É tudo muito evidente:
Salão dos deuses, templos dos deuses.
Tudo vindo do imaginário humano.
Trancados entre quatro paredes,
Presos em suas mentes.
Cegos, tolos, não enxergam a verdade no mundo.
Enganam e são enganados.

A sociedade vira vítima de interesses.
Diáspora foi a solução, 
Prosperaram na Europa.
Condenaram a África.
Sionismo,
Expulsos da Europa.
Retornam do velho mundo desértico.
Fugiram de tiranos romanos e retornaram do tirano nazista.

Novos hitlers e novos monstros e vão surgindo.
Ditadores racistas facistas,
Xenófobos misóginos.
Matam o corpo e destroem a alma carente.
Matam um nação reescrevendo uma tenebrosa história.
Parece que perderam a memória.
Cometem os mesmos erros.
Massacram - genocídio.
Hipocrisia em demasia.

Esqueci de alguma?
De muitas outras.
Uma infinidade delas.
Religião: histórias, mitos e contos.
Seu livro é uma cópia e chamam de releitura.
Uma mistura das narrativas míticas:
Mesopotâmica, Suméria, Assíria, Babilônica e Acadiana.
Livro do padrão moral mundial.
A religião burramente brutal.

O estômago revira de tamanha demagogia.
Da azia.
Melhor um mundo agnóstico.
Nem mesmo deísta.
É quase um prognóstico,
Uma certeza:
Na religião não há pureza,
É tudo poder e riqueza.

São seus deuses, sua pátria, sua doutrina, sua família,
E causam destruição.
A desculpa?
Pregar e impor a sua própria fé,
Uma desculpa,
Religião e mentira.
E o mundo vai sangrando numa hemorragia.



Wagner Pires
in Silêncio, O Culto

quarta-feira, 4 de março de 2015

E QUANDO PERCO O SONO.....




Madrugada,
Meus olhos olham a TV.
Minha mente nem percebe.
As mãos rabiscam,
Rascunhos numa folha de papel.
Palavras que não transmitem os sentimentos,
Apenas os relatam.
Paz, esperança, sonhos....
Sonhando acordado.
Nem sei se é silêncio na madrugada,
Se tem som na TV.
Em meu head phone apenas canções
Que poderiam “me acordar quando setembro chegar ao fim”,
Trazendo as chuvas de outono:
Chuvas de novembro”.
Acordado e pensativo,
Planejando,
Poderia ter planejado melhor,
Talvez “trabalhado menos
Vivido mais, pensado menos.
Nesta altura,
Estaria onde queria estar,
Fazendo o que queria fazer,
Amar te amando.
Mesmo que fosse por um breve momento.
Restam lembranças,
Frustrações, decepções....
Dúvidas e incertezas:
Sonhar ou desistir.
Tudo tem um fim.
Porém,
Que agora seja um final feliz!


Wagner Pires


CATORZE




6 de Março de 2001, terça-feira, 16h45min,
Demorou 12 horas, após os 9 meses.
Finalmente,
Te vejo:
Banho tomado,
Olhos ainda fechados,
Os meus em lágrimas.
Você nem sabia quem eu era.
Mas para mim,
O que sempre desejei.

Meu fiel companheiro
Nesta nossa caminhada
Sempre em busca dos objetivos
Desde o primeiro momento.
E continuamos até os dias de hoje.
Não pude te oferecer muita coisa,
Muito que desejei,
O que precisamos.
Porém, sempre ao meu lado.
Alegre, feliz, tranquilo,
Às vezes resmungão.
Admirado, respeitado, elogiado,
Carinhoso.
Querido por muitos,
Meu orgulho.

E lá se vão 14 anos de vida.
E muitos anos ainda virão.
Gostaria que o tempo parasse
Para te ver sempre assim:
Meu menino, minha criança.
Tem horas que quero que o tempo voe,
Para ver você um homem:
Responsável, íntegro, honesto,
Competente e inteligente.
Com sua família constituída
E bem sucedida.

Que possa realizar todos os seus sonhos,
A cada passo, a cada momento,
No devido tempo.
E sonhos que vão muitoa mais além do que possa sonhar.
Parabéns, filhão,
Te amo!!!


Wagner Pires