domingo, 19 de abril de 2015

VENTO




Com o rolimã descendo a ladeira, brinquedo em madeira.
O vento batendo no rosto daquela criança, e não se cansa.
Brincadeira de menino, na praia, soltando a pipa que flutua, e que não caia.
Conduzindo caravelas para os descobrimentos.
Portugueses, mestres na navegação atravessando os oceanos.
Ajustar as velas nas baías, deixar crescer a adrenalina.
Construções medievais, o cenário é belo,
Faz girar o moinho que mói o farelo.
No mar ou nas montanhas cria energia.
Enormes pás que giram forte, sem covardia.
Energia nas pedaladas que rompem o asfalto
Fazendo o vento despentear os belos cabelos da menina,
Porém envergonhada,
Distraiu-se com o tremular das bandeiras,
Nem percebeu a saia levantada.
Os lábios sopram as pétalas da flor,
Faz girar o cata-vento, que já nem existe mais.
O bebê sem coordenação deixou o balão ser levado.
De lá para cá, o vento também brinca com ele.
Vento só não brinca quando a fúria da natureza traz destruição.
Sons produzidos pelo vento anunciam a tempestade.
Trazendo ou levando as nuvens.
Rega a terra para brotar a semente e o verde se destacar.
Muda a semente para nascer noutro lugar.
Gira como um pião com a calda a tocar o chão.
Arrasta tudo o que vê à frente.
Ondas gigantes invadem a cidade.
Clima que transforma a humanidade.
Vai embora, e no seu abandono deixa o silêncio e a dor.
Ele cria uma canção que toca aos meus ouvidos,
Com a janela entre aberta do carro que rompe a sua barreira.
Conduzindo nas estradas vou jogando poeira e folhas no caminho.
Me impulsiona a saltar no lugar mais alto,
Para planar e olhar o mundo com outro olhar
E sonhar em seguir o meu destino.

“Mas os que esperam no Senhor renovarão as forças, subirão com asas como águias; correrão, e não se cansarão; caminharão, e não se fatigarão.”
(Isaias 40:31)

Wagner Pires

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