sexta-feira, 17 de abril de 2015

ROTINA DE UMA VIDA DIFÍCIL



              Diariamente acompanho pela TV a dura vida de uma classe profissional.
            Geralmente meninos vindos das favelas, sem a oportunidade de irem à escola.
            Lamentações, reclamações, protestos, processos trabalhistas, salários atrasados, demissões constantes; enfim, preocupante.
Obrigados a trabalhar aos domingos, assim como vendedores de lojas em shopping centers, fast foods, motoristas de ônibus, entre tantos outros profissionais.
            E na segunda feira, por volta das 9 horas da manhã já se apresentam novamente em seu local de trabalho.
            E depois do cansativo trabalho no turno da manhã todos se reúnem para o almoço, devidamente preparado por nutricionistas para suprir as necessidades básicas.
            Período da tarde: academia e hidroginástica; com personal trainer, fisiologistas, fisioterapeutas, médicos; acompanhados de assessores, empresários, agentes, etc.
            Fim da tarde, rumo a casa para descansar para aproveitarem os passeios à noite.
            Estilosos com roupas, calçados e acessórios de grife internacional. Claro, não vão para casa em transportes públicos, estes trabalhadores que trabalham duro vão em seus carrões importados. E se talvez estiverem atrasados para o trabalho ainda podem ir de helicóptero.
            Viagens com direito a compras em todas as partes do planeta. Porém, muito ruim ter que viajar constantemente, deixando sua família, esposa, filhos. E são belas as mulheres que os cercam. Estes jovens trabalhadores casam-se cedo, também tem filhos precocemente.
            Trabalham publicamente dois dias por semana, sem Descanso Semanal Remunerado, sem adicional noturno, com salários que variam de 10 mil a 1 milhão por mês.
            Dois dias por semana em trabalho público e reclamam, como reclamam devido ao stress e ao cansaço físico, mas são apenas duas horas de trabalho nestes dias após terem se hospedado em belos hotéis?
            Alguns pregam discursos de que na maioria não ganham estes valores. Pelo menos, a maioria destes profissionais da bola juntam-se a milhões de brasileiros com salários médios próximos ao salário mínimo. Vivem a realidade contrária daqueles que estão fora da nossa realidade econômica.
            Isso sim deveria ser preocupante: salários médio na maioria dos profissionais, pelo Brasil a fora, de apenas um salário mínimo. Para terem que pegar transporte público sem qualidade nenhuma, sem saúde básica, muito menos segurança e em muitos casos nem moradia em condições.
            Afinal, jogador de futebol é um dom, um talento, e outros cidadãos comum trabalham pela necessidade para seu sustento!

Wagner Pires

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