quarta-feira, 7 de janeiro de 2015

LUTO PELA TOLERÂNCIA






Todos aqueles que lutam pela tolerância deveriam estar de luto.

Desde que o mundo é mundo, e irá ser assim até o fim do mundo, existem os conflitos intolerantes. Intolerantes pelas suas crenças religiosas, cada um acredita no seu deus e quer impor a sua autoridade.

Fundamentalistas radicais islâmicos são apenas a facção mais midiática pela violência exagerada. Extremistas frios em suas ações, deixando o mu do perplexo, como na ação terrorista de hoje em Paris, como a decapitação de jornalistas, militares, civis.

Hoje nos choca mais devido os recursos tecnológicos que transmitem estes atos ao vivo para o mundo assistir. Me choca pelo fato de não conseguir entender como ainda nos dias de hoje existem mentes cauterizadas capazes de acreditarem em filosofias desta proporção de egoísmo e ignorância.

Choca mais ainda em saber que estas mesmas mentes cauterizadas no seu próprio interesse está impregnado em toda sociedade. Basta ver os partidos políticos de extrema direita nos países europeus que pregam o nacionalismo incentivando a deportação de todo e qualquer imigrante. Basta ver as constantes acusações de todos os lados políticos no Brasil, sendo que todos eles têm o rabo preso com a corrupção.

E por falar em Brasil, porque os meios de comunicação e o povo ficaram chocados com esta chacina em Paris se todos os dias vemos isso dentro das nossas fronteiras. Chacina em guerras pelo poder dentro das próprias facções criminosas, chacina contra policiais e chacinas cometidas pelos policiais.

O Brasil tem vivido sem cumprirem e sem respeitarem as leis, ficando à mercê de facções criminosas: propriamente declaradas pelos crimes de assassinatos, roubos, tráfico de drogas, etc; e facção criminosa disfarçada de política.

Não há intolerância mais triste daquele que ocorre dentro do seu próprio lar. Nem as famílias se entendem mais, impera a vontade de cada um e ausência de maturidade para um diálogo para entender que cada um tem seus erros e acertos, mas cada um tem direito a sua individualidade e liberdade, mas todos tem o dever de respeitar isso.

Nem sempre esta chacina familiar e social é física, a chacina pode ser na alma, invisível, na imposição autoritária da sua vontade através do poder financeiro e hierárquico. Impede o mais fraco e debilitado de agir, falar e até de pensar; fica sem reação e sem atitude.
Sempre fiquei indignado, e ficarei eternamente, com a opressão sobre o menos favorecido quando de forma injusta. Gostaria de ter força política para subir sobre o palanque, mesmo que fosse de um caixote, e brigar por isso. Nunca me conformei com a desigualdade causada pela injustiça social.

Gostaria de ter poder para acabar com esta cultura milenar da corrupção no Brasil. É um câncer que ninguém quer aplicar a cura. Se alastra por todos os segmentos, não apenas nas repartições públicas e políticas, atinge até os esportes e empresas privadas.

Voltando aos crimes na Charli Hebdo, um Xeique islâmico locado na cidade de Lisboa condenou a ação terrorista dizendo que este ato vai contra a ideologia do islã, e que se não estão satisfeitos com a liberdade de expressão dos países democráticos que retornem ao seu país de origem.

Já fui imigrante na Europa, e não tinha o direito de mudar a cultura, hábitos e costumes daquele país, ou eu concordava e me adaptava, ou retornava. Não sou obrigado a gostar de tudo, mas tinha o dever de respeitar. O que eu ganhei com isso: o respeito, carinho, compreensão e ajuda daquele povo que me acolheu muito bem.

Intolerância religiosa, este foi o motivo da ação terrorista. E quantas outras religiões, até aquelas igrejas que nós frequentamos tem a presunção de se auto intitular a única perfeita, e a melhor dentro desta religião perfeita. Mesmo que o fato seja verdadeiro, o discurso deve ser menos arrogante, que vise menos o interesse pelo poder e o dinheiro. Porque assim caímos novamente na igreja primitiva violenta e autoritária, voltamos à inquisição.

O Mundo está ficando chato devido o politicamente correto, não há mais humor, alegria. Tudo é bullying e preconceito.

Enquanto isso, continuamos nesta luta e de luto pela tolerância social.




Wagner Pires

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